Aumento Acima da Média Nacional

O Sindicato da Habitação do Distrito Federal (Secovi-DF) divulgou que o valor médio do aluguel na região aumentou em 8,13% nos últimos doze meses até outubro de 2025. Esse percentual é superior ao acumulado do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), que ficou em 5,5% até outubro, conforme dados da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Além disso, a alta ultrapassa os 6,5% registrados nos últimos doze meses, mostrando que o Distrito Federal enfrenta uma pressão inflacionária mais intensa no setor de locação.

Para o Secovi-DF, diversas razões contribuem para esse aumento no DF, que se destaca em relação ao restante do país. A taxa Selic elevada é um dos fatores-chave, pois encarece os financiamentos imobiliários, levando as famílias a enxergarem o aluguel como uma alternativa mais viável. O presidente do Secovi-DF, Ovídio Maia, comentou à TV Globo: “Infelizmente, a taxa de juros escorchante aplicada no Brasil hoje, a Selic, impacta diretamente o custo do financiamento imobiliário. Com isso, não há outro caminho a não ser buscar a locação”. O aumento dos juros torna o financiamento cada vez mais distante da realidade financeira das famílias, comprometendo a renda e forçando muitos a optar pelo aluguel.

O representante comercial Marco Antônio Theodoro, que reside em um apartamento na quadra 404 Sul, revela que destina mais da metade de seu salário para o pagamento do aluguel. “Às vezes, a gente passa até um pouco mais apertado para conseguir manter o padrão. Eu moro num apartamento de 30 m² e pago R$ 3.025 só de aluguel, fora condomínio e IPTU,” desabafou ele, ressaltando o peso que essa despesa tem em seu orçamento mensal.

Setor Imobiliário Aquecido

Por outro lado, o empresário Bruno Soares, sócio de uma corretora que conta com 23 corretores, relatou que o aumento nos preços dos aluguéis não afetou a performance de sua corretora. Segundo ele, o mercado continua aquecido, conseguindo absorver os imóveis rapidamente. “Posso afirmar por experiência própria que o mercado de locação está aquecido. Preços dentro da realidade e bem avaliados não ficam disponíveis no mercado por muito tempo, especialmente em áreas centrais, onde a demanda é extremamente alta e a oferta é escassa,” disse Soares.

Os bairros próximos ao centro, como Asa Sul e Asa Norte, são os mais buscados pelos inquilinos, o que acelera a rotação dos imóveis disponíveis. “O que estamos vendo é que, em regiões mais centrais, a procura é intensa e a oferta simplesmente não dá conta,” acrescentou o empresário.

A situação do mercado de aluguéis em Brasília evidencia uma tendência que pode ser observada em outros centros urbanos do Brasil, onde a combinação de juros altos e a precarização das condições de compra têm levado muitas famílias a optar pela locação. O cenário atual, portanto, não só reflete uma realidade local, mas também se insere em um contexto mais amplo de mudanças nos hábitos habitacionais da população brasileira.

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