Reflexões sobre Assédio no Ambiente Profissional
“Você já sofreu assédio em algum momento da sua vida? E será que você já assediou alguém?” A pergunta da corregedora do Ministério da Previdência Social, Vládia Pompeu, provocou uma profunda reflexão entre os participantes do IV Seminário de Combate e Prevenção ao Assédio, promovido pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF) no auditório do Shopping ID. O evento, que aconteceu em 29 de junho, teve como tema central “Um ambiente seguro começa com todos nós”.
Durante a palestra, a especialista destacou comportamentos que muitas vezes passam despercebidos no cotidiano das relações profissionais, mas que configuram assédio e geram constrangimento. Entre eles, estão interrupções constantes em reuniões, comentários inadequados e olhares com conotação sexual. Essas atitudes, embora naturalizadas em alguns ambientes, podem causar danos significativos ao convívio e à saúde mental dos trabalhadores.
Dados que Revelam a Realidade do Assédio no Trabalho
Os números apresentados por Vládia Pompeu ilustram a dimensão preocupante do problema. Segundo registros da Justiça do Trabalho, em 2025, foram abertos 142.828 novos processos relacionados ao assédio moral, representando um aumento de 22% em relação ao ano anterior. Já os casos envolvendo assédio sexual chegaram a 112.813, indicando uma elevação de 40%.
Complementando essa visão, a pesquisa Trabalho sem Assédio, realizada pela Think Eva, revelou que 57% dos entrevistados relataram vivenciar situações de assédio. Ainda assim, somente 10% das mulheres que sofreram assédio sexual buscaram os canais oficiais de denúncia nas empresas. Esse dado evidencia a necessidade de fortalecer os mecanismos de acolhimento e incentivo à denúncia.
O Papel das Lideranças na Prevenção
A forma como gestores conduzem suas equipes impacta diretamente na prevenção do assédio. Durante o seminário, a coordenadora de Compliance e Governança do IgesDF, Lorena Mayla, apresentou a proposta de atualização da Política de Combate e Prevenção ao Assédio do Instituto. Essa revisão visa contemplar as novas formas de interação no ambiente de trabalho, incluindo mensagens, reuniões virtuais, grupos profissionais e redes sociais.
Além disso, o documento prevê aprimorar as medidas de acolhimento, proteger os envolvidos, prevenir retaliações e observar riscos psicossociais. Lorena ressaltou ainda que a prevenção depende do conhecimento para identificar condutas inadequadas, da abertura para ouvir e da responsabilidade para agir. “É fundamental que nossas atitudes estejam alinhadas aos valores que proclamamos”, afirmou.
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Vanessa Oliveira, chefe do Núcleo de Emergências e Internações do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), reforçou a relevância do tema para o cotidiano das equipes. Segundo ela, os treinamentos ampliam a compreensão de que constrangimentos podem ocorrer mesmo sem intenção explícita, ajudando os gestores a tratar cada colaborador com atenção às suas particularidades.
Identificando e Buscando Orientação sobre Assédio
A corregedora do IgesDF, Danielle Lontra, esclareceu como distinguir entre condutas abusivas e atos legítimos de gestão, destacando a importância do consentimento nas relações interpessoais. “Quando a pessoa não aceita ou permite determinada ação, o que parecia gentileza se torna invasão. O consentimento precisa ser livre, explícito e consciente. Na dúvida, o correto é recusar”, explicou.
Vanessa Tchelzoff, controladora do IgesDF, compartilhou experiências práticas da Controladoria e orientou os participantes a buscar apoio antes de tirar conclusões precipitadas sobre possíveis irregularidades. “Estamos disponíveis para apoiar, desconstruir o denuncismo e auxiliar na gestão. Não se omitam”, incentivou.
Luciana Parente, chefe do Núcleo de Ouvidorias das Unidades de Pronto Atendimento, detalhou o processo de registro de manifestações, quais informações são essenciais para análise e como ocorre o encaminhamento aos setores competentes. Ela reforçou que a ouvidoria representa um compromisso coletivo de ouvir, respeitar e comunicar situações inadequadas, contribuindo para o cuidado das pessoas e o fortalecimento da instituição.
Construindo uma Cultura de Respeito Diária
Na abertura do seminário, a presidente do IgesDF, Eliane Abreu, enfatizou que o respeito deve permear as ações cotidianas. O Instituto precisa ser um ambiente onde os colaboradores sintam satisfação em trabalhar. “Nossa missão é entregar saúde pública de qualidade, e isso começa com o prazer em fazer nosso trabalho”, declarou.
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Fonte: aquiribeirao.com.br
Eliane destacou que a prevenção ao assédio é uma responsabilidade da gestão, que deve identificar problemas, corrigir condutas e, sobretudo, demonstrar com atitudes concretas que o respeito é um compromisso diário.
O vice-presidente do instituto, Túllio Nogueira, ressaltou os três pilares do Programa de Integridade do IgesDF: prevenir, orientar e agir. Para ele, a dignidade humana deve guiar as relações profissionais para além das normas institucionais. “Cuidar de quem cuida de pessoas é respeitar, ouvir, promover conhecimento e valorizar nossos colaboradores”, ressaltou.
O controlador-geral do Distrito Federal, Daniel Alves Lima, também participou da abertura, reforçando a necessidade de envolvimento conjunto para construir ambientes de trabalho respeitosos. “Discutir temas como assédio moral e sexual é essencial para garantir condições de trabalho dignas e respeitosas”, afirmou.
O seminário foi finalizado com um momento de interação, permitindo que os participantes esclarecessem dúvidas e dialogassem com os especialistas sobre prevenção, acolhimento e encaminhamento de casos de assédio.
A gravação completa do IV Seminário de Combate e Prevenção ao Assédio está disponível no canal do IgesDF no YouTube.

