Iniciativas Para Fortalecer a Rede de Diálise

A ampliação da disponibilidade de hemodiálise na rede pública do Distrito Federal foi o foco de uma discussão realizada na terça-feira, 3 de março, no evento CB.Poder, uma parceria entre o Correio Braziliense e a TV Brasília. Durante a conversa, a gerente de Serviços de Internação do Hospital de Base do Distrito Federal, Iara Campos de Carvalho, detalhou os investimentos recentes na área, além de abordar as estratégias de prevenção e as expectativas para os próximos anos. Iara destacou que a Secretaria de Saúde tem se preparado por mais de um ano para aumentar a oferta de diálise à população.

As melhorias começaram a ser implementadas nos Hospitais Regionais de Taguatinga e do Gama. Nesses locais, foi realizada uma avaliação abrangente da infraestrutura, que incluiu a substituição do sistema de osmose, essencial para o tratamento da água utilizada na hemodiálise. Além disso, pela primeira vez no Distrito Federal, foi introduzido um equipamento de hemodiálise de duplo passo, aumentando a eficiência e a segurança do procedimento.

Importância da Prevenção em Saúde Renal

Com o envelhecimento da população, a demanda por diálise tende a aumentar. Segundo Iara, a necessidade de diálise surge na maioria dos casos de pacientes com doença renal crônica. “Estamos adquirindo novos aparelhos? Sim, e isso é parte do nosso compromisso em atender melhor a população”, afirmou ela. Para atender à crescente necessidade, foram adquiridas 65 máquinas, distribuídas entre as duas unidades de saúde: 29 no Hospital de Taguatinga e 19 no Hospital do Gama.

A hemodiálise é geralmente a última etapa do tratamento para a doença renal crônica. Por isso, a prevenção se torna fundamental. Iara aconselha que as principais doenças que podem levar à insuficiência renal, como hipertensão, diabetes e obesidade, sejam controladas. “É crucial manter a pressão arterial em níveis adequados e o diabetes controlado, além de investir em cuidados desde a atenção primária”, enfatiza.

Exames e Diagnóstico da Saúde Renal

Para saber como estão os rins e evitar a necessidade de tratamentos mais avançados, o principal exame a ser realizado é o de creatinina, um teste simples e acessível na rede pública. Além disso, o exame de urina também revela alterações significativas. A combinação desses dois exames oferece uma boa avaliação da saúde renal de um paciente.

Aumentando a Atenção à Doença Renal Crônica

Com o passar dos anos, a capacidade de filtração dos rins tende a diminuir, especialmente em pessoas acima dos 40 anos, que podem perder cerca de 1 ml de função de filtração renal anualmente. Atualmente, estima-se que cerca de 10% da população mundial apresenta algum estágio de doença renal crônica, número que pode chegar a 30% entre os idosos. Portanto, o planejamento e a ampliação da assistência são essenciais para lidar com esse cenário.

Dados Sobre a Doença Renal no Brasil e no DF

No Brasil, a situação é preocupante. Dados do Ministério da Saúde revelam que aproximadamente 13% da população do Distrito Federal é afetada por doenças renais crônicas. Em termos de diálise, cerca de 0,13% da população está em tratamento. Projeções do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística indicam que, até 2030, o número de pessoas em diálise no DF pode aumentar para cerca de 3.650. Isso representa uma incidência elevada e a necessidade de um planejamento adequado para atender essa demanda com qualidade, além de reforçar as medidas de prevenção.

Transplante Renal: Alternativa Viável

Em relação ao transplante renal, Iara explicou que a principal contraindicação envolve problemas cardíacos severos ou câncer ativo. Os pacientes sem contraindicações passam por uma avaliação rigorosa e, se considerados aptos, são colocados na fila de espera. O transplante é um procedimento seguro, tanto para o receptor quanto para o doador, sendo sua indicação baseada em uma série de exames e investigações minuciosas.

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