O Papel de Ailton de Aquino no Banco Central

BRASÍLIA – O diretor de Fiscalização do Banco Central, Ailton de Aquino, se tornou figura central em uma controvérsia ligada ao Banco Master após ser convocado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, para uma acareação com outros envolvidos na questão.
Aquino é reconhecido por ter recomendado à diretoria colegiada do Banco Central a liquidação do Banco Master e, juntamente com o presidente Gabriel Galípolo, é responsável por comunicar ao Ministério Público sobre ativos deteriorados e indícios de fraudes detectados na instituição.
Graduado em ciências contábeis pela Universidade do Estado da Bahia, em Salvador, e em direito pelo Centro Universitário do Distrito Federal, em Brasília, Aquino iniciou sua carreira no Banco Central em 1998 como inspetor de fiscalização. Desde então, ele galgou posições na autarquia, sendo nomeado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva como diretor em 2023.

Trajetória Profissional e Relevância Histórica

Ele assumiu a diretoria ao lado do atual presidente do BC, Gabriel Galípolo, que comandou a diretoria de política monetária. O mandato de Aquino é fixo e se estenderá até 28 de fevereiro de 2027.
De acordo com o site oficial do Banco Central, Ailton de Aquino atuou como supervisor de fiscalização entre 2003 e 2009, antes de se tornar chefe de divisão e, posteriormente, chefe adjunto na área de Monitoramento das Instituições Financeiras, de 2012 a 2015. Entre 2015 e 2020, ele se destacou como auditor-chefe e, de 2020 até assumir a diretoria, foi o responsável pelo Departamento de Contabilidade, Orçamento e Execução Financeira.

Impacto Social e Controvérsias

Ailton de Aquino é o primeiro negro a ocupar um cargo de direção no Banco Central, um marco que gerou reações nas esferas sociais. O movimento Educação e Cidadania de Negros e Pessoas da Camada Popular (Educafro) emitiu uma nota questionando sua convocação para a acareação.
“A experiência histórica brasileira demonstra que, em contextos de crise institucional, há o risco de transferência de tensões sistêmicas para figuras individuais, frequentemente pertencentes a grupos historicamente sub-representados nos espaços de poder”, afirmou a Educafro.

Apóio de Entidades e Dinâmica Interna do Banco Central

Além disso, a Associação Nacional dos Auditores do Banco Central do Brasil manifestou apoio a Aquino em comunicado oficial. “Manifestamos apoio e respaldo à atuação do colega Ailton Aquino Santos, Auditor do Banco Central e Diretor de Fiscalização, que representa um dos principais ativos da instituição ao reunir trajetória de superação pessoal e convicção técnica”, destacou a entidade.
Fontes do Banco Central revelam que a negativa da transação entre o Banco Master e o Banco de Brasília (BRB) se deu após o voto do diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução (Diorf), Renato Dias Gomes, em setembro. A Aquino coube encaminhar o voto pela liquidação do Banco Master, dois meses depois, em novembro.

Conflitos e Resoluções no Banco Central

Nos últimos meses, ambos os diretores estiveram no centro de um impasse enquanto a autarquia analisava a venda de uma parte do Banco Master ao BRB. O termo “risco CPF” foi mencionado como um fator que influenciou o impasse. Apesar das dificuldades, tanto Renato quanto Aquino se mantiveram firmes em suas decisões, um reflexo da complexidade com que o Banco Central lida em situações críticas.

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