Movimento BDS e a Campanha pelo Boicote

O Movimento BDS (Boicote, Desinvestimento e Sanções) lançou um apelo à sociedade para pressionar a Amaggi, uma das maiores produtoras de soja do Brasil, a interromper a aquisição de fertilizantes provenientes de territórios ocupados por Israel na Palestina. A ação visa conscientizar sobre as implicações éticas e ambientais da relação comercial entre o agronegócio brasileiro e empresas que atuam em áreas de alto risco ambiental.

A Amaggi, que recentemente recebeu insumos da israelense ICL, é alvo de críticas devido à sua associação com uma empresa que extrai recursos minerais de terras palestinas ocupadas. Segundo relatos, a ICL promove uma narrativa sobre o capitalismo verde, enquanto se torna alvo de acusações por suas práticas ambientais.

Relação Comercial Entre Amaggi e ICL

Uma investigação realizada pela Repórter Brasil revelou que a ICL enviou, no dia 15 de janeiro, um carregamento que incluía 34 mil toneladas de cloreto de potássio e 11,3 mil toneladas de superfosfato simples para o Porto de Itacoatiara, no Amazonas. Essas matérias-primas são essenciais para a fabricação de fertilizantes. A análise de dados alfandegários indica que este foi apenas um entre vários carregamentos entre a ICL e a Amaggi.

Em resposta aos questionamentos, o Grupo ICL afirmou que suas operações estão em conformidade com as leis israelenses e que realiza suas extrações dentro das fronteiras do país. No entanto, a ocupação das terras palestinas por Israel desde 1967 é considerada ilegal pelo direito internacional, conforme as diretrizes da ONU.

Implicações para as Comunidades Locais

Além de suas operações em áreas palestinas, a ICL Rotem, uma subsidiária do grupo, atua no deserto de Naqab, onde o deslocamento dos beduínos, uma comunidade pastoral muçulmana, está em curso. A abertura de novas minas de fosfato poderia afetar até 100 mil moradores, 15 mil dos quais pertencem a essa comunidade. Um incidente em 2017, onde a ICL Rotem liberou resíduos tóxicos em um rio local, exemplifica os riscos ambientais associados às atividades da empresa.

Ademais, o grupo ICL está sendo investigado por fornecer fósforo branco a projéteis militares dos EUA que são utilizados contra a população civil palestina. Essa prática é apenas uma das várias denúncias que caracterizam a empresa como cúmplice em crimes de guerra.

O Papel da Amaggi no cenário Internacional

Apesar das críticas e das chamadas para um boicote, a Amaggi alegou que não existem limitações que impeçam transações com a ICL, nem que comprometam sua reputação ou princípios éticos. A relação entre o Brasil e Israel, que envolve tanto o agronegócio quanto o setor militar, mantém-se forte, com as trocas comerciais entre os dois países alcançando mais de US$1,2 bilhão, mesmo com uma queda de 14,9% em comparação ao ano anterior.

O agronegócio brasileiro, em sua essência, é um dos principais beneficiários dessa relação, com destaque para a importação de insumos e produtos que incluem fertilizantes, inseticidas e outros itens cruciais para a produção agrícola. As exportações do Brasil para Israel, que aumentaram 9,6%, refletem a força do setor, contribuindo com produtos como soja, café e carnes.

A Luta pela Justiça Climática e pelos Direitos Humanos

A luta pela libertação da Palestina transcende questões políticas, sendo uma batalha por justiça climática e responsabilização das empresas que contribuem para a degradação ambiental e o sofrimento humano. A Amaggi, enquanto uma das líderes do agronegócio brasileiro e participante ativa em eventos globais como a COP 30, enfrenta um paradoxo: promover práticas sustentáveis enquanto se envolve em atividades que afetam negativamente o meio ambiente e as comunidades vulneráveis na Palestina.

À medida que a crise humanitária em Gaza se agrava, com milhares de pessoas enfrentando a fome e a falta de recursos básicos, o setor agropecuário brasileiro continua a prosperar. Enquanto isso, as políticas do governo brasileiro, que priorizam investimentos no agronegócio, refletem uma aliança com práticas que muitos consideram apoiadoras do colonialismo e do imperialismo.

Considerações Finais

Este cenário evidencia a interconexão entre as lutas sociais no Brasil e no mundo, onde a defesa dos direitos humanos se entrelaça com as questões ambientais. A pressão por justiça em relação à Palestina é uma parte importante de um movimento maior que busca desafiar as estruturas do capitalismo global e promover a equidade. A luta pela Palestina é, portanto, indissociável das batalhas contra a opressão e pela preservação do nosso planeta.

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