UnB e sua presença marcante no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro
A universidade de brasília (UnB) reafirma sua importância no cenário cultural ao participar da programação do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro (FBCB). Entre os dias 12 e 20 de setembro, o festival ocupará espaços como o Cine Brasília, Liberty Mall, Universidade Católica de Brasília (UCB), Complexo Cultural de Planaltina e Hotel Ramada, trazendo uma programação diversificada que inclui duas produções assinadas por docentes da UnB.
“A Pele Morta”, dirigido por Denise Moraes, docente da faculdade de comunicação (FAC), em parceria com Bruno Torres, será a atração da sessão de abertura. Já “Nem Todos Sabem”, documentário da professora do Programa de Pós-Graduação em Direitos Humanos Edileuza Penha, compõe a Mostra Brasília, celebrando a trajetória de um personagem fundamental para a cultura local.
“A Pele Morta”: uma narrativa sobre pertencimento e diversidade
O longa “A Pele Morta” acompanha Saulo, um rapper indígena que lida com a perda do irmão, embarcando numa jornada pelas fronteiras da América do Sul ao lado de um caminhoneiro uruguaio. Durante a viagem, eles acolhem uma jovem em busca de sua irmã, revelando vínculos afetivos que ultrapassam territórios fixos. Denise define o filme como uma reflexão sobre o pertencimento, construído a partir das relações afetivas e não de um local específico.
O roteiro, escrito por Daniel Tavares com colaboração de Geraldo Moraes, situa-se no campo do cinema político, abordando questões sociais e diversidade latino-americana. A própria estrutura da trama reforça essa diversidade, reunindo personagens brasileiros, uruguaios e paraguaios em um caminhão intitulado Nuestra América.
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Além da narrativa, o filme traz uma carga emocional especial: originalmente idealizado e dirigido por Geraldo Moraes, cineasta brasiliense e ex-professor da UnB, falecido antes das filmagens, o projeto foi assumido pelos filhos Denise e Bruno a convite de Solange Moraes, produtora da obra. Segundo Denise, a direção buscou preservar a dimensão política do roteiro, valorizando a afetividade dos personagens e suas particularidades nacionais.
“A Pele Morta” será exibido na abertura do festival, no dia 11 de setembro, às 19h30, no Cine Brasília.
Documentário “Nem Todos Sabem”: memória e cultura em foco
O documentário “Nem Todos Sabem” resgata a vida de João Tomé, compositor, maestro e um dos fundadores da Escola de Música de Brasília. Negro e deficiente visual, Tomé deixou mais de 500 composições, muitas em braile, e teve papel fundamental na construção cultural da capital. O filme retrata sua trajetória por meio de depoimentos de pessoas próximas e arquivos familiares.
O projeto surgiu em 2010 a partir da amizade entre Edileuza Penha e Vera Tomé, neta de João. Inicialmente pensado como curta-metragem, o trabalho cresceu para longa durante a pesquisa, ampliando o alcance da história. Para Edileuza, a exibição no FBCB simboliza reconhecimento ao trabalho e à importância de João Tomé para Brasília, reforçando que a memória da cidade é indissociável desse personagem.
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O documentário terá três sessões no dia 17 de setembro: às 18h no Cine Brasília, e às 19h45 no Complexo Cultural de Planaltina e na UCB, em Taguatinga, Bloco G.
Estudantes da UnB no júri e participação de egressos
A UnB também marca presença na Mostra Caleidoscópio, dedicada a filmes experimentais, com cinco estudantes de Audiovisual compondo o júri jovem pela segunda vez. Sob a coordenação da professora Mariana Souto, da Faculdade de Comunicação (FAC), a iniciativa permite que os alunos se aproximem do festival por meio da análise crítica e curadoria das obras.
Além disso, egressos da universidade têm destaque na Mostra Competitiva Brasília, com 11 diretores formados pela UnB concorrendo com filmes como “Mapas”, “Onde Moram os Irmãos” e “Hacker Leonilia”. O festival ainda conta com a participação de Santiago Dellape, Denise Vieira, Thiago de Aragão e Marcelo Caetano em diferentes funções, consolidando a influência da universidade no cinema local.
Essa presença plural reforça o papel da UnB na formação cultural e na circulação artística da região, conectando alunos, docentes e ex-alunos ao circuito do cinema brasileiro contemporâneo.

