Festival de Brasília Enfrenta Crise e Anuncia Selecionados
A 59ª edição do Festival de Brasília do cinema brasileiro quase não aconteceu. Uma indefinição pairou sobre o evento devido à falta de verbas da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal, que ameaçou o cancelamento do mais antigo festival do gênero em atividade no país. A governadora Celina Leão (PP), contudo, confirmou a continuidade do festival, que divulgou nesta terça-feira (18) a lista dos filmes indicados.
Programação Robusta e Diversificada no Cine Brasília
Com sessões agendadas para ocorrer entre os dias 11 e 19 de setembro no Cine Brasília, o festival registrou um recorde de inscrições, segundo a organização, com quase 2 mil títulos inscritos entre curtas e longas-metragens. Dentre esses, foram selecionados sete longas e 12 curtas para a mostra competitiva Nacional. A Mostra Brasília contará com quatro longas e oito curtas. Ao todo, o evento reúne mais de 70 produções distribuídas em seis outras mostras e exibições hors concours, incluindo a sessão de abertura com o curta “Brasília Planejamento Urbano” (1965) e o longa inédito “A pele morta”, de Denise Moraes e Bruno Torres. O encerramento terá o filme “Verão da Lata”, dirigido por Santiago Dellape.
Longas na Competição Oficial e Homenagens
Os longas que disputarão o prêmio na seleção oficial representam diversas regiões do país: “Ana, en passant”, de Fernanda Salgado (MG); “Pequenas tragédias”, de Daniel Nolasco (GO); “Tudo é tempo”, de Marcos Guttman (RJ); “Todo o sentimento”, de Ary Rosa e Glenda Nicácio (BA); “Privadas de suas vidas”, de Gustavo Vinagre e Gurcius Gewdner (SP); “Se eu fosse vivo… vivia”, de André Novais Oliveira (MG); e “Sabes de mim, agora esqueça”, de Denise Vieira (DF).
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A direção artística é comandada pelo crítico, cineasta e programador Eduardo Valente. Destaques da edição incluem homenagens à atriz Julia Lemmertz, que receberá o Troféu Candango de Conjunto da Obra, e à cineasta Tata Amaral, premiada com o Prêmio Leila Diniz, reconhecimento a mulheres que desbravaram o cinema nacional. A museóloga e conservadora audiovisual Fernanda Coelho será agraciada com a Medalha Paulo Emílio Sales Gomes.
Exibições e Sessões Especiais
Além das mostras competitivas, o festival apresenta uma série de sessões especiais. Entre os longas, estão “Histórias de terror e delicadeza”, de Jimi Figueiredo e Sérgio Sartório (DF); “Norte sul esquerda direita”, de Ricardo Ribeiro (SP); “Pitico: Hermes Ayres Azevedo (1881-1959) – historiador da província”, de Julio Bressane (RJ); e “Pontos de partida”, de Silvio Tendler (SP/RJ). Já os curtas contemplados incluem “A última diária”, de Marcelo Pelúcio e Zefel Coff (DF); “Música secular”, de Emanuel Lavor (DF); e “Delegado”, de Marcelo Lordello e Leonardo Lacca (PE).
O festival também reserva espaço para a História(s) do cinema brasileiro, com filmes contemporâneos como “Fernando Coni Campos: cada um vive como sonha”, de Luis Abramo e Pedro Rossi (RJ), e clássicos como “Brasília: planejamento urbano”, de Fernando Coni Campos. A mostra Festival dos festivais trará produções como “Proust palimpsesto”, de Carlos Adriano (SP), e “Afrolatinas: mulheres negras em movimentos”, de Viviane Ferreira (BA).
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Festivalzinho e Premiações Locais
Voltado para o público infantil, o Festivalzinho apresenta longas como “O menino que carregava água na peneira”, de Daniel Leite Almeida (MS), e “Folclórica”, de Rodrigo Aragão (ES), além de curtas variados. A programação inclui ainda a Premiere DF, que exibe “Brasifilia”, de Francenilton Klava (DF), e “Jornada nas estrelas”, de Angelo Pignaton (DF).
O Festival de Brasília, que conta com contribuições culturais de Oliveira (MG) e Vieira (DF), reafirma sua importância no calendário nacional ao promover a circulação de obras que dialogam com o público, valorizando a diversidade regional e a produção independente. A próxima etapa do evento poderá ser conferida na expectativa de movimentar o cenário audiovisual brasileiro e fortalecer o circuito cultural local.

