Saúde é a principal preocupação dos eleitores do Distrito Federal
A menos de dois meses da eleição para governador do Distrito Federal, os eleitores da capital já definiram as questões que mais impactam sua vida: saúde, educação, segurança pública, transporte público e combate à corrupção. São esses os temas que eles esperam ver tratados com prioridade pelo próximo gestor do DF, segundo a pesquisa Correio/Opinião Inteligência Política, que ouviu 1.109 eleitores sobre os problemas que consideram mais urgentes para o governo resolver.
O levantamento permitiu que cada participante citasse até três prioridades. Dentre as respostas, a saúde foi apontada por 82,3% dos entrevistados como a principal área a ser melhorada, seguida da educação (43,1%) e da segurança pública (33,1%). O transporte público (16,4%) e o combate à corrupção (6,6%) também aparecem na lista, ainda que com menor expressividade.
Contexto e expectativas dos eleitores brasilienses
O mestre em ciência política pela Universidade de Brasília (UnB), Ariel Calmon, explica que o foco em serviços públicos essenciais reflete a percepção de problemas concretos enfrentados pela população. “A saúde ganha destaque no DF devido à pressão constante sobre hospitais e unidades básicas, que já é uma situação prolongada”, observa. A presença da educação e da segurança na sequência das prioridades indica que o eleitor valoriza políticas que impactam diretamente seu cotidiano, mais do que discussões abstratas ou pautas nacionais.
Para Calmon, essa preferência deve influenciar o formato das campanhas eleitorais. “Quando uma área recebe mais de 80% de prioridade, dificilmente os candidatos deixam de apresentar propostas concretas e de abordar publicamente essas questões”, afirma. Ele ressalta, porém, que o debate ideológico não desaparece, sobretudo em um contexto eleitoral marcado por polarização nacional. No entanto, no Distrito Federal, o foco tende a ser a capacidade administrativa dos concorrentes.
Impacto da pesquisa no cenário eleitoral
Segundo o cientista político, a pesquisa aponta a agenda do eleitor, mas não prevê resultados eleitorais. “Saber que a saúde é a maior preocupação não indica quem será beneficiado nas urnas. Isso depende de quem convencer melhor sobre sua capacidade de melhorar o setor”, destaca. A presença de uma candidata à reeleição com a saúde como maior problema evidencia, ainda, um desafio a ser superado pela atual gestão.
Rócio Barreto, especialista em democracia participativa, observa que o eleitor do DF está adotando postura pragmática nas eleições. “A ampla preferência pela saúde demonstra a busca por soluções eficazes e imediatas para garantir qualidade de vida”, afirma. Ela acrescenta que essa tendência é comum em pesquisas nacionais, que também apontam saúde, educação e segurança como os pilares essenciais para a população.
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Fatores que influenciam o voto e estratégias dos candidatos
Barreto destaca que o voto é influenciado por múltiplos fatores: emoção, avaliação da gestão atual, credibilidade dos candidatos, alianças políticas, desempenho na campanha e capacidade de comunicação. “Os acontecimentos durante o processo eleitoral e a influência da mídia também são determinantes. A pesquisa funciona como um roteiro para que os candidatos construam suas propostas e conquistem a confiança do eleitor”, avalia.
Os candidatos ao governo do Distrito Federal reconheceram as prioridades apontadas e detalharam suas propostas. Celina Leão (PP), que disputa a reeleição, destaca a continuidade das ações na saúde, com contratação de mais de 700 profissionais para reduzir filas. Na educação, aposta na valorização dos profissionais para elevar a qualidade. Na segurança, foca no aprimoramento do sistema de monitoramento DF 360, com mais de 10 mil câmeras integradas para aumentar a vigilância.
José Roberto Arruda pretende concentrar esforços iniciais nas três áreas prioritárias. Propõe a construção do Centro Distrital de Cirurgias e mais quatro hospitais, além da recuperação dos indicadores educacionais, buscando retomar o primeiro lugar no Ideb. Na segurança, aposta no aumento do monitoramento eletrônico, ampliação do efetivo policial e políticas de tolerância zero contra infrações.
Modernização e foco em grupos vulneráveis
Kiko Caputo (Novo) propõe a redução do tempo de espera por consultas e exames por meio da modernização do sistema de regulação, integrando serviços em uma plataforma inteligente. Na educação, pretende ampliar vagas em creches e pré-escolas, melhorando a qualidade do atendimento. Na segurança, prioriza proteção a mulheres e pessoas vulneráveis, buscando respostas rápidas para casos de maior risco e redução da reincidência da violência.
Leandro Grass ressalta que sua prioridade na saúde é zerar filas de exames e cirurgias, além de fortalecer a atenção primária com iniciativas como as carretas do programa Aqui Tem Especialistas, do Ministério da Saúde. Na educação, quer ampliar o ensino em tempo integral e valorizar educadores. Na segurança, propõe integração das polícias com planejamento e monitoramento inteligente, apoiado por recursos federais.
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Propostas focadas em eficiência e transparência
Paula Belmonte (PSDB) destaca a intenção de cuidar das pessoas, enfrentando filas na saúde, fortalecendo a atenção básica e digitalizando processos. Na educação, pretende investir na alfabetização, valorização dos professores e expansão do ensino integral. Na segurança, planeja integrar forças policiais com inteligência e tecnologia, reforçando a prevenção com planejamento e metas claras.
Ricardo Cappelli (PSB) falou em lançar o programa Fila Zero, contratar mais profissionais, implantar prontuário eletrônico, ampliar o Saúde da Família e retomar o Saúde em Casa. Na educação, tem como meta zerar a fila dos concursados, abrir novos concursos, garantir salários competitivos e ampliar escolas. Para a segurança, defende recompor o efetivo da Polícia Militar e investir em inteligência policial.
Reorganização e combate à precarização
Robson Raymundo (PSTU) propõe extinguir o Iges-DF e reorganizar a secretaria de saúde com eleição de conselhos populares, além de realizar auditoria nas contas para combater fraudes e estatizar serviços terceirizados. Na educação, quer extinguir escolas cívico-militares, efetivar professores temporários, ampliar a participação de educadores sociais voluntários e abrir grupo de trabalho para incorporá-los.
Na segurança, Raymundo pretende reorganizar o comando das forças armadas e da secretaria, estruturando um plano de segurança por meio de conselho popular.
Investimento e fortalecimento da gestão pública
Samara Mineiro (UP) defende acabar com as filas de espera na saúde com a nomeação de profissionais e aumento do investimento, propondo dobrar o repasse do Fundo Constitucional para a área, injetando R$ 8 bilhões e combatendo a privatização. Na educação, reforça a importância de concursos públicos e nomeação de trabalhadores, ressaltando que o sucateamento dos serviços sociais contribui para o aumento da violência e sensação de insegurança.

