Investimento em Saúde e Justiça para Acolhimento de Dependentes Químicos
A governadora Celina Leão visitou, na segunda-feira (15), o Centro de Reintegração Deus Proverá (CRDP), em Planaltina, para acompanhar o trabalho de recuperação de dependentes químicos realizado pelo instituto há mais de 20 anos. Durante a visita, ela apresentou um programa ampliado de acolhimento para pessoas com dependência química, destacando a regulamentação da internação involuntária humanizada. O projeto, enviado recentemente à Câmara Legislativa do Distrito Federal, prevê reforço no orçamento das secretarias de Justiça e Saúde do Governo do Distrito Federal (GDF).
Celina Leão afirmou que o programa será o maior do Brasil no segmento, com aumento significativo nos recursos destinados. “Vamos dobrar o valor da Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF) e ampliar o da Secretaria de Saúde (SES-DF). Além disso, vamos melhorar as instalações para garantir espaços adequados e atendimento qualificado, com convênios firmes no Estado”, afirmou. O programa também incluirá capacitação de equipes, treinamentos e obtenção de isenções para facilitar o acesso aos serviços.
Internação Involuntária Humanizada: Critérios Médicos e Proteção
O principal destaque do novo programa é a adoção da internação involuntária para casos extremos de dependência química. A governadora enfatizou que esse tipo de internação não será realizada de forma arbitrária ou exclusivamente pela polícia. Em vez disso, equipes médicas e psiquiatras serão responsáveis por avaliar os pacientes e emitir laudos que comprovem surto psicótico, incapacidade de responder por si mesmos ou risco à vida própria e de terceiros.
“Não será de qualquer jeito, nem conduzido só pela polícia. A polícia terá papel de suporte, mas a decisão será técnica, feita por médicos que avaliam se a pessoa está em surto e sem condições de se expressar ou controlar suas ações”, explicou Celina. Essa abordagem busca garantir um cuidado humanizado e adequado, respeitando os direitos dos pacientes.
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Programa Integrado com Foco na Reintegração Social
A governadora apontou que o programa não se limita ao cuidado durante o período de internação. Ele também prevê ações conjuntas com a Secretaria de Trabalho para oferecer oportunidades de emprego e reinserção social para os pacientes após o tratamento. “Queremos dar uma segunda chance para essas pessoas, acolhendo também suas famílias. A internação involuntária humanizada é um desafio, mas necessária para quem está em surto e precisa de ajuda”, acrescentou.
Segundo Celina, a internação compulsória será aplicada somente a casos específicos, não a todos os pacientes com dependência. “Aqueles que estiverem em surto passarão por avaliação e poderão ser internados involuntariamente. Todo o processo precisa de atenção contínua, com políticas para emprego e apoio durante a reintegração, pois superar o vício é apenas o começo desse ciclo completo”, ressaltou.
Centro de Reintegração Deus Proverá: 24 Anos de Trabalho no DF
O Centro de Reintegração Deus Proverá, que atua há 24 anos em parceria com o GDF, abriga atualmente 120 homens e recebe cerca de 40% do custeio via convênio com a Sejus-DF. Francisco Ramalho Medeiros, responsável pelo CRDP, detalhou que a instituição tem uma rotina estruturada e rigorosa, focada na recuperação integral dos internos.
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“Cuidamos de pessoas em situação de rua e dependentes químicos, oferecendo alimentação, educação, profissionalização e reinserção social”, explicou. O CRDP funciona como uma escola, mantendo os internos engajados em atividades diárias que incluem educação formal (EJA), cursos a distância e oficinas práticas como marcenaria, serralheria, jardinagem, informática, educação financeira e manutenção de cadeiras de rodas para pessoas com deficiência.
História de Superação no CRDP
Um exemplo de superação é o de Nicanor Silva de Sá, que passou 12 meses no CRDP e recebeu alta um dia antes da visita da governadora. Ele compartilhou sua experiência: “Minha trajetória aqui foi bastante árdua. A gente vem de uma vida sofrida, mas com o tempo aprendemos a conviver e a lidar melhor com a situação. Hoje estou tranquilo e esperançoso para o futuro”, afirmou emocionado.
Essa narrativa reforça o impacto positivo do trabalho realizado no CRDP e a importância do investimento público para ampliar programas de acolhimento e tratamento humanizado para dependentes químicos no Distrito Federal.

