Negociação que salvou o BRB envolve União, GDF e STF
Em entrevista exclusiva ao Correio Braziliense, a governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), detalhou o acordo firmado entre o Governo do Distrito Federal (GDF), a União e o Banco de Brasília (BRB) para viabilizar um empréstimo de R$ 6,5 bilhões junto ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Mediada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), a negociação destravou o crédito bilionário para o banco, após a fraude ocorrida durante as tratativas com o Banco Master, de Daniel Vorcaro.
Celina Leão afirmou que o BRB “foi vítima” do ocorrido e elogiou a postura institucional do governo federal. Apesar de não definir uma data para a entrega do balanço, garantiu que ele será entregue positivo. A governadora também falou sobre os desafios de governar em meio ao período eleitoral, além de abordar medidas de arrocho orçamentário, mudanças no secretariado e prioridades para a saúde pública.
Os bastidores da negociação para salvar o BRB
Desde que assumiu o governo, há menos de 50 dias, Celina enfrentou vários desafios, principalmente em um contexto pré-eleitoral que gerou informações falsas contra o BRB, algumas configurando crimes contra o mercado financeiro. Para conter a crise, a governadora buscou o Banco Central, reuniu-se com bancos em São Paulo e negociou diretamente com o FGC, mostrando que o GDF não abandonaria o banco público.
“O BRB não seria liquidado. O banco tem personalidade, tem um controlador forte, e isso fez toda a diferença para o desfecho positivo”, afirmou Celina. Ela explicou que apesar de especulações sobre privatização ou federalização, a manutenção do BRB como banco público era essencial para preservar sua dimensão e importância para Brasília.
Medidas para garantir liquidez e capital
Para enfrentar a crise, o GDF adotou medidas importantes, como a venda de títulos e a securitização de dívidas, além de aportar recursos para garantir liquidez. No entanto, a questão do capital só poderia ser resolvida com um empréstimo, que dependia do aval da União. Por causa do Capag C, classificação das contas públicas do DF, o aval não foi automático, levando o GDF a entrar com uma ação no STF.
Celina destacou a atuação do ministro Luiz Fux, que, em 24 horas, notificou a Advocacia-Geral da União (AGU) para se manifestar. A governadora explicou que o pedido era pela dispensa da exigência do Capag C, e não pelo aval da União. Segundo ela, o STF reconheceu que o DF não tem histórico de endividamento e que a situação era momentânea, o que permitiu a aprovação do empréstimo.
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Detalhes sobre a entrada do recurso e balanço positivo
O recurso será integralizado de uma vez como capital no BRB, o que permitirá ao banco fechar um balanço positivo. Embora não haja uma data definida, o ministro Fux pediu agilidade ao FGC para que o prazo não prejudique a situação da instituição. Celina assegurou que o balanço será entregue e será positivo, reafirmando a confiança na recuperação do banco.
Sobre o risco de novo rebaixamento pelas agências de risco, a governadora disse que a negociação foi feita coletivamente, com representantes do Banco Central, procuradores, AGU e Ministério da Fazenda, superando diferenças ideológicas. Para ela, o BRB é maior que disputas políticas e sua manutenção é fundamental para Brasília, já que todos os serviços públicos da capital passam pelo banco.
Prioridades e futuro do BRB
Celina apontou a implantação de um sistema de compliance rígido como prioridade para o BRB, visando impedir que fraudes semelhantes voltem a ocorrer. O banco deve crescer e voltar a atender a população do DF com solidez e transparência. Quanto ao fechamento de agências, a decisão ficará a cargo da gestão do banco, que tem autonomia para isso.
Sobre os responsáveis pela fraude, a governadora espera que todos sejam responsabilizados, ressaltando a gravidade do ocorrido e a necessidade de justiça. Ela destacou que muitas irregularidades foram descobertas pela equipe do governo, reforçando o compromisso com a transparência e o combate à impunidade.
Impacto e reconhecimento do acordo para Brasília
O acordo gerou alívio entre os funcionários do BRB e a população de Brasília. Celina relatou o sentimento emocionado dos trabalhadores, que chegaram a organizar uma carreata preocupados com o futuro do banco. A governadora reforçou que a negociação representou uma demonstração importante de pacto federativo, com apoio institucional do governo federal, especialmente dos ministros Dario Durigan (Fazenda) e Jorge Messias (AGU).
Controle acionário e credibilidade do banco
O GDF está acompanhando a compra de ações do BRB para garantir que permaneça como acionista majoritário. Celina acredita que o banco recupera sua credibilidade, observando o retorno de clientes à instituição. Ela também comentou que enfrentou subestimação durante a crise, mas ressaltou sua fé e capacidade de resolver problemas complexos.
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Foco do governo após a crise do BRB
Com a situação do BRB encaminhada, a governadora pretende focar na gestão da cidade, especialmente na saúde, segurança e programas sociais. Apesar do cenário financeiro desafiador, o GDF tem priorizado a saúde pública, um setor que Celina considera fundamental para a população do DF.
Ela destacou ações como a redução do tempo de espera para tratamento de câncer, que chegou a ser referência nacional, e o aumento da demanda por atendimento em Brasília. Para enfrentar esses desafios, o governo tem investido na reforma e melhoria das unidades básicas de saúde, valorizando ambientes acolhedores e gestão eficiente.
Desafios na retenção de profissionais e orçamento
Um problema grave é a dificuldade de manter médicos e outros profissionais na rede pública, devido à pouca atratividade financeira. Celina afirmou que gostaria de conceder reajustes salariais, mas precisa agir com responsabilidade fiscal. Ela garantiu que a valorização desses profissionais será prioridade assim que houver recuperação financeira.
Equilíbrio entre demandas e cenário financeiro
A população do DF acompanha de perto as ações do governo e valoriza a transparência nas decisões. Para reorganizar as contas, o GDF cortou gastos com contratos, aluguéis e viagens, e mantém diálogo franco com os parlamentares para garantir maioria na Câmara Legislativa.
Projetos em andamento e perspectivas
Entre os projetos em negociação, estão financiamentos internacionais para expandir o metrô até Santa Maria e implantar o VLT entre Taguatinga e Ceilândia. Essas obras visam melhorar a mobilidade urbana e a qualidade de vida na região, além de revitalizar áreas centrais.
Metas para o fim do mandato
Ao final do mandato, Celina espera ter cumprido sua missão com responsabilidade e entrega de resultados concretos. Seu objetivo é melhorar a saúde pública, organizar as contas do DF e devolver estabilidade para Brasília, sempre priorizando as necessidades da população.

