Fundo Constitucional como Garantia na Negociação
O Ministério da Fazenda comunicou ao Governo do Distrito Federal a possibilidade de utilizar o Fundo Constitucional do DF como contrapartida para que o Tesouro Nacional atue como garantidor em uma operação de crédito destinada à capitalização do Banco de Brasília (BRB). Essa abordagem, segundo informações obtidas, seria a “única alternativa” para que o Distrito Federal, que atualmente possui nota C na Capag (Capacidade de Pagamento), obtivesse o empréstimo necessário.
Com essa classificação, o Distrito Federal enfrenta restrições para contratar novas operações de crédito com a garantia da União, uma vez que tais empréstimos exigem notas A ou B. As autoridades federais já sinalizaram que não há a intenção de abrir exceções para o DF, uma vez que isso poderia criar um precedente perigoso, permitindo que outros estados em situação fiscal semelhante buscassem apoio do Tesouro Nacional.
Portanto, a proposta em estudo sugere que o Fundo Constitucional do Distrito Federal sirva como a contrapartida necessária para que o Tesouro Nacional possa garantir a operação de crédito. Esse fundo, que é repassado anualmente pela União ao Governo do Distrito Federal para custear serviços essenciais, especialmente na segurança pública, compõe mais de 35% da receita total do DF, e a expectativa é que, em 2026, esse valor ultrapasse os R$ 28 bilhões.
Atração de Bancos Privados com Garantia do Tesouro
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Integrantes da equipe econômica do governo avaliam que a participação do Tesouro Nacional como garantidor poderá facilitar a atração de bancos privados para a operação de crédito ao BRB. Há a expectativa de que o FGC (Fundo Garantidor de Crédito) não esteja disposto a emprestar o montante necessário, mesmo com a garantia da União, o que reforça a importância de uma solução eficaz.
Recentemente, a governadora Celina Leão (PP) recebeu a mensagem sobre a necessidade de incluir o Fundo Constitucional do DF nas discussões sobre a capitalização do BRB. Contudo, existe uma preocupação política, pois Celina busca manter a liderança do GDF nas eleições de outubro, o que torna a proposta arriscada ao comprometer uma das principais fontes de receita do DF para salvaguardar o banco.
Prazo para Resolução e Intervenção no BRB
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Em uma reunião não programada no Banco Central, realizada na última sexta-feira (1º), o atual presidente do BRB, Nelson Souza, foi alertado sobre a urgência da situação do banco. As autoridades deixaram claro que, caso não haja uma solução em breve, uma intervenção na instituição financeira poderá ser necessária.
O BRB está em busca de uma capitalização de R$ 6,6 bilhões, valor que foi solicitado ao FGC, que neste momento está avaliando o pedido. A pressão por soluções efetivas é intensa, e o cenário econômico do Distrito Federal depende da capacidade de ação rápida e eficaz por parte das autoridades locais e federais.

