Governança Corporativa no Agronegócio: Um Novo Caminho para Empresas de Médio Porte
A profissionalização das práticas de governança corporativa no agronegócio brasileiro vem ganhando força, especialmente entre as empresas de médio porte. Historicamente reservadas a grandes corporações, essas práticas estão se tornando essenciais para garantir a competitividade e a sustentabilidade no setor. De acordo com dados da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o agronegócio brasileiro responde por 24,1% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2024, com uma previsão de crescimento de 8,5% para 2025.
Neste contexto, a adoção de estruturas de decisão bem definidas, a gestão adequada de riscos, a transparência nas operações e o planejamento sucessório estão se mostrando fundamentais para assegurar um crescimento sustentável e facilitar o acesso a recursos financeiros.
Sucessão nas Empresas Familiares: Desafios Cruciais
O Censo Agropecuário do IBGE revela que apenas 30% das empresas familiares no agronegócio alcançam a segunda geração, e menos de 5% conseguem chegar à terceira. Para Marcio Roldão, especialista na área, a ausência de mecanismos de governança que organizem a sucessão e minimizem riscos é o principal obstáculo que essas empresas enfrentam. ‘No agronegócio, uma sucessão mal planejada pode prejudicar o negócio lentamente: decisões ficam emperradas, executivos desistem, instituições financeiras restringem o crédito e parceiros perdem a confiança. Integrar a sucessão à governança proporciona continuidade, previsibilidade e profissionalização na liderança’, ressalta Roldão.
Conselho Consultivo: Um Pilar para a Gestão Eficiente
Um dos elementos centrais da governança corporativa é o conselho consultivo, que desempenha um papel vital na análise de investimentos, endividamento e critérios de capitalização (CAPEX). Essa estrutura auxiliar permite que as empresas enfrentem os períodos de safra e entressafra com maior segurança financeira, além de fortalecer a confiança de bancos e investidores. O conselho também é fundamental na formação de um pipeline de liderança, ajudando a mapear posições críticas e definir critérios claros para herdeiros e executivos, além de oferecer trilhas de desenvolvimento profissional.
Essa atuação é crucial, pois o conselho não apenas avalia o desempenho e gerencia conflitos, mas também assegura que a estratégia de longo prazo se mantenha firme, mesmo diante de mudanças na liderança.
A Governança como Plataforma de Crescimento Sustentável
O verdadeiro valor da governança corporativa no agronegócio está na sinergia entre políticas financeiras, controles regulatórios, práticas de sustentabilidade (ESG) e planejamento sucessório. Essa abordagem transforma as empresas familiares de meros ‘negócios da família’ em plataformas robustas de capital, gestão e crescimento sustentável. Em um setor caracterizado por ciclos de produção longos e decisões com implicações de médio a longo prazo, essa profissionalização se torna cada vez mais necessária.

