Desafios na Saúde Mental Durante a Gestão de Ibaneis Rocha
O governador Ibaneis Rocha (MDB) anunciou sua renúncia ao cargo no dia 28 de março, com o intuito de concorrer ao Senado nas eleições de 2026. Ao longo de quase oito anos de mandato, que totalizam 2.645 dias desde sua posse em 1º de janeiro de 2019, sua gestão enfrenta uma série de desafios, especialmente no setor de saúde mental.
Ibaneis deixa o governo em meio a várias denúncias que cercam sua administração, incluindo o polêmico escândalo envolvendo o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master. Além disso, há outras questões, como o aluguel de instalações do Iesb em Ceilândia, que custou R$ 110 milhões por cinco anos, sem licitação, e que impactou o funcionamento da Universidade do Distrito Federal (UnDF).
A saúde durante sua gestão foi amplamente criticada e considerada caótica. O que se evidenciou foi não apenas um problema no sistema de saúde, mas um reflexo da saúde mental no Distrito Federal, manifestando-se na escassez de serviços adequados e profissionais qualificados, precarização do atendimento e a crescente dependência de instituições privadas, algumas com características manicomial.
Embora a antiga Diretoria de Saúde Mental tenha sido elevada ao status de Secretaria de Saúde Mental, os dados coletados ao longo do mandato de Ibaneis revelam uma tendência preocupante de desmonte das políticas sociais, incluindo aquelas voltadas à saúde mental, além do aumento da manicomialização.
Para compreender melhor a situação, é importante destacar alguns números que retratam os 2.645 dias de gestão de Ibaneis Rocha na área de saúde mental e dependência química no DF:
- 0 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) foram implantados na Rede de Atenção Psicossocial (RAPS);
- O DF ocupa a 2ª posição com a pior cobertura de CAPS habilitados do país, apresentando um índice de apenas 0,54 CAPS para cada 100 mil habitantes, comparado à média nacional de 1,13;
- Não há Centros de Convivência RAPS no Distrito Federal;
- O DF conta com apenas uma Unidade de Acolhimento, quando deveria haver mais;
- Existem apenas dois Serviços Residenciais Terapêuticos (SRTs) na região;
- Não foram realizados concursos para a contratação de especialistas na área;
- O DF ocupa o 20º lugar entre as 27 unidades federativas em número de profissionais, como psiquiatras, enfermeiros, assistentes sociais e psicólogos, alocados em CAPS, com menos de 300 profissionais disponíveis;
- A região abriga o maior complexo manicomial do país, sendo também a que apresenta a maior taxa de leitos psiquiátricos privados, junto ao estado de Goiás, com 17,5 leitos a cada 100 mil habitantes;
- Somente em 2024, foram repassados R$5.713.313,59 à Clínica Recanto, uma instituição privada, criticada por sua abordagem manicomial;
- Dois falecimentos nos últimos anos no Hospital São Vicente de Paulo e outros seis no incêndio da Comunidade Terapêutica Liberte-se em 2025.
Esses dados não representam um acaso ou anomalia na gestão de saúde mental, mas sim uma clara orientação política que tem promovido a precarização e a privatização das políticas de saúde, incluindo o Sistema Único de Saúde (SUS) e, especificamente, a saúde mental.
A população do DF é a mais afetada por essas diretrizes, que devem continuar mesmo após a saída de Ibaneis, com a posse de Celina Leão. Diante dessa realidade, aqueles que se preocupam com a saúde e bem-estar da população do DF precisam se mobilizar contra essa política de desmonte.
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