Desafios na captação de recursos do BRB
A tática adotada pelo Governo do Distrito Federal (GDF) para utilizar imóveis como forma de aumentar o capital do Banco de Brasília (BRB) tem encontrado forte resistência no mercado. O valor estimado para os ativos se mostra cada vez mais distante da realidade, segundo informações apuradas pela Coluna do Estadão. Dos nove bens que o governo pretendia incluir em um novo fundo imobiliário, pelo menos dois são considerados desinteressantes e devem ser excluídos durante a apresentação aos investidores. Essa exclusão representa uma redução de quase R$ 3 bilhões no aporte inicialmente planejado pelo GDF.
Apesar disso, há otimismo em relação a alguns imóveis que, de acordo com especialistas do setor, podem ter um valor de mercado superior ao que foi oficialmente listado. Isso se deve ao fato de que esses bens estão localizados em áreas com intensa especulação imobiliária, o que poderia compensar parcialmente a baixa atratividade de outros ativos. No entanto, o BRB ainda não fez nenhuma declaração sobre o assunto.
Impactos da inclusão de imóveis fora do padrão
Incluir imóveis que não atraem investidores em um fundo imobiliário pode comprometer a credibilidade de todo o portfólio, tornando mais difícil a captação de recursos essenciais para conter as atuais perdas financeiras do banco. Se o fundo não for viabilizado, os bens oferecidos pelo GDF não terão valor algum para o balanço do BRB, visto que a legislação impede que o banco simplesmente contabilize esses imóveis como patrimônio líquido a fim de ‘maquiar’ suas contas. A monetização dos ativos é um passo necessário.
Isso se deve à necessidade dos bancos em manter índices de liquidez e capital, conforme as regras estabelecidas por Basileia. Esses índices são fundamentais para assegurar a saúde financeira da instituição em momentos de saques ou crises. Imóveis que não geram interesse no mercado, sejam por falta de compradores ou pela ausência de rendimento, como aluguéis, não podem ser considerados como garantias reais de solvência.
Consequências financeiras e cancelamento de assembleia
Para o Banco Central, a presença de um imóvel que não apresenta potencial para venda ou que não gera fluxo de caixa pode prejudicar ainda mais a saúde financeira do banco, uma vez que esses ativos acabam gerando custos de manutenção e depreciação, elevando o perfil de risco da instituição. No último dia 17, o BRB anunciou a suspensão da Assembleia Geral Extraordinária que estava agendada para o dia seguinte, quando seria discutido um plano de capitalização para cobrir os prejuízos causados pelas operações com o Banco Master.
A decisão de cancelar a assembleia se deu após a questão do uso de imóveis públicos para capitalizar o banco estatal ser levada à Justiça, resultando em um emaranhado de decisões judiciais. O BRB informará, em momento oportuno, a nova data para a realização da Assembleia Geral Extraordinária.
Além disso, o BRB já se encontra em negociações com o Banco Central para estabelecer um novo prazo para a divulgação de seu balanço, que tinha como limite o dia 31 de março, e busca evitar penalizações em razão do atraso.

