Denúncias de Punição em Escola Cívico-Militar
Após uma série de denúncias, a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) se manifestou sobre a situação ocorrida em uma escola cívico-militar, onde alunos foram obrigados a fazer flexões e ficaram de joelhos durante uma atividade na quarta-feira (25). A declaração foi dada ao canal da TV Globo e provocou reações de pais e do Sindicato dos Professores, que questionaram a conduta dos policiais militares envolvidos no episódio.
O major da PMDF, responsável pela comunicação da unidade, afirmou que “ninguém forçou ninguém a fazer os exercícios” e que a atividade foi uma “brincadeira utilizada para descontrair” os alunos. Segundo ele, o professor de educação física estava presente, e aqueles que não puderam ou não desejavam participar foram dispensados. O oficial também comentou que os policiais envolvidos foram imediatamente afastados para garantir a transparência na apuração dos fatos.
A situação se agravou quando se descobriu que a punição havia sido aplicada devido à insatisfação dos policiais com a cor dos agasalhos que os alunos usavam. Após a denúncia, a Secretaria de Educação do DF anunciou o afastamento dos policiais. Imagens registradas no dia do incidente mostram os alunos fazendo as flexões, gerando ainda mais controvérsia.
Histórico de Denúncias na Escola
Vale ressaltar que essa não é a primeira vez que a escola CED 1 do Itapoã enfrenta problemas semelhantes. Em maio de 2025, alunos relataram casos de violência física e psicológica. Além disso, em junho de 2024, um adolescente informou ter sido agredido por um policial militar após chegar atrasado às aulas. Esses relatos levantam questões sérias sobre a segurança e a abordagem pedagógica nas instituições de ensino que possuem gestão compartilhada com a PMDF.
Críticas ao Modelo de Disciplina
Samuel Fernandes, diretor do Sindicato dos Professores, fez duras críticas à forma como a disciplina é aplicada na escola. Ele classificou as punições como constrangedoras e desproporcionais, afirmando que a disciplina escolar não deve ultrapassar os limites do respeito e da dignidade dos alunos. Segundo ele, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) assegura que os estudantes devem ser protegidos de qualquer tratamento vexatório, e essa prática de punição pode ser considerada abuso de autoridade.
Fernandes enfatizou a necessidade de uma apuração rigorosa do caso, pedindo que medidas sejam implementadas para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer. Para ele, a escola deve ser um espaço seguro e acolhedor, onde o respeito às individualidades dos alunos prevaleça.
Posicionamento da Secretaria de Educação
Em resposta ao episódio, a Secretaria de Educação do DF afirmou que está ciente da situação e que o ocorrido foi considerado um equívoco por parte da direção da escola. A pasta imediatamente acionou a Secretaria de Segurança Pública e garantiu que as substituições dos policiais ocorrerão de forma rápida. A Secretaria também reforçou que não aprova práticas que possam ser vistas como constrangedoras no ambiente escolar.
Além disso, a pasta assegurou que nenhum aluno será prejudicado por questões de vestimenta, reiterando o foco na inclusão e no respeito ao acesso à educação. A Secretaria destacou seu compromisso com os princípios do ECA e com a Constituição Federal e assegurou que investigará o caso com a seriedade que ele merece.
Esclarecimento da Polícia Militar
A PMDF também se manifestou sobre o ocorrido, reiterando que não compactua com atitudes que possam ser interpretadas como inadequadas ao ambiente escolar. A corporação declarou que a situação está sendo avaliada para que os fatos sejam esclarecidos e as ações administrativas necessárias sejam implementadas. O compromisso com a proteção e dignidade das crianças e adolescentes, conforme previsto nas legislações pertinentes, foi reafirmado pela PM.

