Início da Pesquisa sobre Cannabis Medicinal em Brasília
A Fiocruz Brasília deu um passo importante para a pesquisa em saúde no Distrito Federal ao iniciar, no dia 11 de maio, um estudo focado nas evidências do uso medicinal da cannabis. O lançamento oficial aconteceu em um seminário na sede da instituição, reunindo representantes de associações de pacientes, profissionais da saúde, pesquisadores, gestores públicos e órgãos reguladores. O evento marcou o marco zero da iniciativa que visa sistematizar e qualificar dados clínicos e assistenciais relacionados ao uso medicinal da cannabis no DF.
Objetivos e Metodologia do Estudo
O projeto buscará gerar evidências sobre os efeitos terapêuticos e a segurança do uso de preparações à base de cannabis, com destaque para o canabidiol (CBD) e diferentes concentrações de tetrahidrocanabinol (THC), em adultos e crianças atendidos pelas associações participantes. Serão analisadas informações sobre a efetividade dos tratamentos, qualidade de vida dos pacientes e possíveis eventos adversos. O estudo, conduzido pelo Programa de Evidências para Políticas e Tecnologias em Saúde (Pepts) e pelo Núcleo de Epidemiologia e Vigilância em Saúde (Nevs) da Fiocruz Brasília, pretende contribuir para o fortalecimento de políticas públicas que garantam acesso seguro e qualificado à cannabis medicinal.
Contexto e Importância da Pesquisa
Durante o lançamento, a diretora da Fiocruz Brasília, Fabiana Damásio, ressaltou a relevância de ampliar o diálogo sobre a temática e fortalecer a produção científica. Ela contextualizou que a pesquisa integra uma agenda estratégica da Fundação, presente em 12 estados brasileiros, que visa desenvolver estudos relacionados à cannabis medicinal. “Esperamos que esta pesquisa no Distrito Federal forneça subsídios importantes para o conjunto de estudos da Fiocruz em todo o país”, afirmou.
Fabiana destacou ainda a articulação entre diferentes setores como fundamental para consolidar a agenda da cannabis medicinal, especialmente em um momento em que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) discute um novo marco regulatório para a produção da planta com fins medicinais no Brasil. Ela defendeu o fortalecimento de uma ciência cidadã, que produza dados confiáveis para embasar políticas públicas e ampliar as opções de cuidado à população, superando preconceitos e estigmas sociais.
Avanços e Desafios na Regulação e Pesquisa
O coordenador da Área de Promoção da Saúde da Fiocruz, Valber Frutuoso, enfatizou a experiência acumulada da Fundação na pauta da cannabis medicinal, sobretudo na incidência política e na defesa de avanços regulatórios. Para ele, a pesquisa iniciada em Brasília é estratégica para gerar evidências qualificadas que possam acelerar a incorporação de medicamentos à base de cannabis no sistema de saúde brasileiro.
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Frutuoso reconheceu os desafios regulatórios e legais existentes, mas destacou os avanços promovidos pela Anvisa, que têm ampliado o debate sobre a regulamentação da produção e do uso medicinal da cannabis no país. Ele também mencionou a contribuição da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) para o desenvolvimento de estudos no setor, reforçando a importância da cooperação entre instituições de pesquisa, órgãos reguladores e gestores públicos.
Articulação entre Atores e Impacto para o SUS
Segundo Frutuoso, a cooperação entre diferentes atores é essencial para ampliar a produção e viabilizar a oferta de medicamentos à base de cannabis no Sistema Único de Saúde (SUS). “Embora ainda existam obstáculos importantes, a produção de evidências científicas é indispensável para garantir que os tratamentos cheguem a quem deles precisa”, afirmou.
O seminário também contou com uma mesa técnica que discutiu avanços científicos, regulatórios e sociais relacionados à cannabis medicinal. Pesquisadores, gestores públicos e representantes da sociedade civil compartilharam experiências e perspectivas para fortalecer a agenda no Brasil.
Contribuições de Associações e Instituições
Igor Aveline, da Associação de Pacientes BioSer, destacou o papel das organizações da sociedade civil na garantia do acesso a preparados à base de Cannabis sativa L., ressaltando a importância dessas entidades no acolhimento dos pacientes e na ampliação do acesso ao tratamento.
Michelle Zanon, representante do Ministério da Saúde, apresentou o Programa de Pesquisa Clínica e discutiu estratégias para construir uma agenda nacional de pesquisa em cannabis medicinal, reforçando a necessidade de articulação entre instituições, gestores e órgãos reguladores para o avanço do tema no país.
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Pesquisas Acadêmicas e Detalhes do Projeto
O pesquisador Renato Malcher, da Universidade de Brasília (UnB), ofereceu um panorama das pesquisas sobre cannabis medicinal no Brasil, enquanto a professora Andrea Gallassi, também da UnB, abordou as evidências científicas sobre os usos medicinais e benefícios terapêuticos dos preparados à base da planta.
As pesquisadoras Luciana Gallo (Nevs/Fiocruz Brasília) e Flávia Elias (Pepts/Fiocruz Brasília) apresentaram o projeto “Efeitos e segurança do uso medicinal de preparações à base de Cannabis no Distrito Federal”, detalhando objetivos, metodologia e a importância da iniciativa para subsidiar políticas públicas e ampliar o acesso qualificado ao tratamento.
Participação Parlamentar e Apoio à Pesquisa
O deputado federal Rodrigo Rollemberg, autor da emenda parlamentar que garantiu os recursos para a pesquisa, participou do evento de lançamento. Ele ressaltou a importância da produção de evidências científicas para qualificar o debate sobre a cannabis medicinal e apoiar a formulação de políticas públicas que ampliem o acesso seguro e equitativo aos tratamentos.
Rollemberg destacou ainda o papel estratégico da Fiocruz na condução de estudos que promovam avanços no conhecimento científico e contribuam para soluções que atendam às necessidades da população, especialmente dos pacientes que já utilizam a cannabis medicinal como alternativa terapêutica para diversas condições de saúde.
