Exportações Crescem e Novos Mercados Se Abrem
Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou um marco significativo, com as exportações do setor atingindo a impressionante cifra de US$ 169,2 bilhões. Esse valor representa quase 50% das exportações totais do país, refletindo um crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária indicam que esse desempenho foi impulsionado por um aumento de 3,6% no volume exportado, que conseguiu compensar a leve diminuição nos preços médios registrados no mercado internacional. Tal resultados são fundamentais para manter um superávit saudável na balança comercial, essencial para a estabilidade das contas externas do Brasil.
A diversificação geográfica dos mercados foi um dos principais fatores que contribuíram para esse resultado positivo. Em 2025, o Brasil consolidou a abertura de 525 novos mercados desde 2023, ampliando a presença de seus produtos agrários em diversas nações, como Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México. De acordo com informações da Forbes Brasil, a China continuou a ser o principal destino das exportações do setor, absorvendo mais de 30% do total exportado, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
Produtos Tradicionais em Alta
Neste contexto, a pauta exportadora do agronegócio brasileiro manteve-se fortemente ancorada em commodities tradicionais. A soja em grãos continuou a representar uma parte expressiva das receitas, com mais de 108 milhões de toneladas embarcadas. A carne bovina também se destacou, atingindo recordes tanto em valor quanto em volume. Além disso, o Brasil se consolidou como o terceiro maior exportador mundial de carne suína. O setor cafeeiro, por sua vez, registrou um crescimento superior a 30% no valor exportado, impulsionado por preços internacionais elevados, conforme análise do Financial Times.
Acordos Comerciais e Desafios Futuros
O ano de 2025 também foi marcado por negociações comerciais que poderão influenciar diretamente o futuro das exportações brasileiras. Um dos principais marcos foi a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, após 26 anos de intensas negociações. Este acordo prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas entre os blocos, formando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. Entretanto, segundo informações do jornal britânico, embora a ratificação do acordo possa aumentar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu, o processo encontra desafios, incluindo uma votação no Parlamento Europeu que exigiu uma análise jurídica antes de seu avanço.
Expectativas para 2026
O horizonte para 2026 se apresenta como um ponto de inflexão para o agronegócio brasileiro. Mais do que simplesmente produzir e exportar volumes recordes, o verdadeiro desafio agora é entender com precisão os sinais do mercado global. A consolidação de acordos comerciais tem potencial para abrir portas em economias de alto poder aquisitivo. No entanto, as novas regulações ambientais, as exigências de rastreabilidade e os padrões de sustentabilidade elevam o nível de competitividade para os produtos brasileiros no cenário internacional.
Além disso, observa-se uma mudança sutil, porém significativa, nos hábitos alimentares da população, impulsionada pelo aumento do uso de medicamentos para perda de peso, como o Ozempic. Essa tendência já está começando a alterar o padrão de compras no varejo alimentar, resultando em uma diminuição no consumo de produtos ultraprocessados e uma maior demanda por alimentos mais saudáveis. A adaptação a essas novas exigências de mercado será fundamental para o futuro do agronegócio no Brasil.

