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    Saúde

    Voos Espaciais: Como Eles Aceleram o Envelhecimento das Células-Tronco

    19/09/2025
    Imagem do artigo
    Estudo revela o impacto do espaço na saúde celular e suas implicações para astronautas e a biomedicina.

    Impacto do Espaço no Envelhecimento Celular

    Um novo estudo recentemente publicado na revista Cell Stem Cell traz à tona descobertas significativas sobre o envelhecimento das células-tronco humanas, exacerbado por voos espaciais. A pesquisa indica que as células-tronco e progenitoras hematopoiéticas, essenciais para a saúde do sangue e do sistema imunológico, sofrem um desgaste molecular acelerado durante missões no espaço. Os dados revelam que essas células perderam parte de sua capacidade de gerar novas células saudáveis, além de se tornarem mais suscetíveis a danos no DNA e apresentarem telômeros encurtados – indicadores claros do envelhecimento celular.

    Com o auxílio da inteligência artificial, a equipe de pesquisadores analisou células-tronco que estiveram expostas ao ambiente espacial durante quatro missões de reabastecimento da SpaceX à Estação Espacial Internacional. Os resultados apontam para uma deterioração acelerada que pode ter implicações tanto para a proteção de astronautas quanto para a compreensão do envelhecimento humano na Terra.

    Importância das Descobertas

    A autora principal do estudo, Catriona Jamieson, que é diretora do Instituto Sanford de Células-Tronco da Universidade da Califórnia em San Diego, enfatizou em um comunicado que, “o espaço é o teste definitivo de estresse para o corpo humano”. Ela frisou que as descobertas têm “vital importância”, pois confirmam que fatores como a microgravidade e a radiação cósmica podem acelerar o envelhecimento molecular das células-tronco sanguíneas.

    Jamieson acrescentou: “Entender essas mudanças não só nos ajuda a proteger os astronautas em missões prolongadas, mas também pode nos auxiliar na remodelação do envelhecimento humano e no combate a doenças como o câncer aqui na Terra”. Essa perspectiva é ainda mais crucial à medida que entramos em uma nova era de viagens espaciais comerciais e de pesquisa em órbita baixa.

    Contexto de Pesquisas Anteriores

    A Nasa, agência espacial americana, já havia identificado efeitos semelhantes sobre o sistema imunológico e o comprimento dos telômeros. O Estudo dos Gêmeos, realizado entre 2015 e 2016, comparou o astronauta Scott Kelly, que passou 340 dias em órbita, com seu irmão gêmeo Mark, que permaneceu na Terra. As investigações revelaram alterações na expressão gênica, no microbioma intestinal e no comprimento dos telômeros, com muitas dessas mudanças sendo revertidas após o retorno de Scott ao nosso planeta.

    O Que Acontece com as Células no Espaço?

    No novo estudo, os cientistas desenvolveram nanobiorreatores, que são biossensores 3D miniaturizados, permitindo que as células-tronco humanas fossem cultivadas no espaço e monitoradas utilizando IA. Após serem expostas ao espaço durante um período que variou de 32 a 45 dias, as células manifestaram características típicas do envelhecimento, como uma atividade celular elevada que esgotou suas reservas, uma capacidade regenerativa reduzida e um aumento nos danos moleculares.

    Possibilidade de Reversão dos Danos

    Além disso, os pesquisadores observaram sinais de inflamação e estresse mitocondrial, além da ativação de partes do genoma que normalmente permanecem inativas. Essas reações ao estresse podem prejudicar a função do sistema imunológico e aumentar a suscetibilidade a doenças. Entretanto, um aspecto encorajador surgiu quando as células expostas ao espaço foram colocadas em um “ambiente jovem e saudável”; como resultado, parte dos danos começou a ser revertida, sugerindo que intervenções adequadas poderiam permitir rejuvenescimento celular.

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