Início da Vacinação e Estratégia de Imunização
Mato Grosso do Sul está recebendo, de forma fracionada e proporcional à capacidade da rede de frio local, um total de 46,5 mil doses da vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan. A distribuição começou nesta quinta-feira (16) e deve se estender até o final de abril, com o intuito de combater o aumento de casos da doença, especialmente entre as comunidades indígenas. Dourados receberá 43,5 mil doses, enquanto Itaporã contará com 3 mil.
A vacinação está programada para iniciar no dia 27 de abril. O Ministério da Saúde recomenda a realização de um microplanejamento local, priorizando as áreas de maior risco epidemiológico e utilizando estrategicamente as doses disponíveis. O objetivo é vacinar a população em um período de até duas semanas, podendo ser prorrogado por mais duas. A estratégia inclui um Dia D de mobilização e ações de vacinação em locais externos.
Meta de Vacinação e População-alvo
A vacina contra a chikungunya obteve aprovação da Anvisa no ano passado para uso em indivíduos entre 18 e 59 anos que apresentam risco aumentado de exposição à doença. A meta é vacinar 27,69% da população em Dourados e 21,2% em Itaporã. Este imunizante representa um avanço significativo, sendo a primeira vacina do mundo desenvolvida especificamente para essa doença viral.
Além de Dourados e Itaporã, a vacinação já teve início em várias outras localidades, incluindo municípios como Simão Dias, Barra dos Coqueiros e Lagarto (SE), além de cidades em Minas Gerais e São Paulo.
Segurança e Eficácia do Imunizante
A vacina contra a chikungunya, desenvolvida pelo Instituto Butantan, demonstrou segurança e eficácia em estudos clínicos, com 98,9% dos 4 mil voluntários participantes produzindo anticorpos neutralizantes, segundo a pesquisa publicada na revista científica The Lancet. A vacina já recebeu aprovação para uso também em Canadá, Reino Unido e Europa.
Porém, é importante destacar que o imunizante, que utiliza tecnologia de vírus atenuado, é contraindicado para gestantes, lactantes, pessoas com sistemas imunológicos comprometidos, assim como aquelas que possuem múltiplas condições médicas crônicas ou alergia aos componentes da vacina.
Investimentos em Saúde em Dourados
Além da vacina, o Ministério da Saúde destinou R$ 28,4 milhões para ações emergenciais, visando ampliar a capacidade de atendimento e fortalecer a rede assistencial de Dourados e região. O governo também está distribuindo 2 mil cestas básicas, com previsão de chegar a 6 mil unidades até junho, em colaboração com a Funai e o Ministério do Desenvolvimento Social (MDS).
No início deste mês, foram incorporados 50 novos Agentes de Combate às Endemias (ACE) para atuar nas aldeias Jaguapiru e Bororó, realizando visitas domiciliares e eliminando criadouros do mosquito Aedes aegypti. Essas equipes já visitaram 1,9 mil imóveis, resultando na remoção de 575 sacos de materiais que poderiam servir como criadouros do mosquito transmissor da doença.
Novas Tecnologias para Controle do Vetor
A instalação de Estações Disseminadoras de Larvicida (EDLs), uma nova tecnologia incorporada ao Sistema Único de Saúde (SUS), também faz parte da estratégia de combate à chikungunya. Das 1.000 unidades planejadas para o município, 240 já foram instaladas em diversos assentamentos e bairros, permitindo que o próprio mosquito transporte o larvicida para criadouros de difícil acesso.
A ação conjunta da Força Nacional do SUS resultou em mais de 2,5 mil atendimentos clínicos, além de 130 remoções e 804 exames realizados, demonstrando um compromisso efetivo com a saúde da população local.
