A Lei Federal 15.100/2025 e as Novas Regras na Educação
O uso de celulares em sala de aula está gerando discussões fervorosas, especialmente após a implementação da Lei Federal 15.100/2025, que entrou em vigor em janeiro do ano passado. Essa legislação permite que escolas de Ensino Fundamental e Médio adotem medidas de controle e, em alguns casos, proíbam a entrada e o uso dos dispositivos móveis. Desde então, diversas faculdades e universidades, especialmente em São Paulo e em outras localidades, também começaram a adotar restrições similares.
As opiniões sobre este tema são polarizadas. Por um lado, muitos educadores relatam dificuldades, como a falta de concentração dos alunos e a dificuldade em lidar com textos longos e complexos. Isso, muitas vezes, leva os professores a se esforçarem para manter a atenção em sala. Por outro lado, há docentes que observam mudanças positivas no comportamento dos alunos, que se veem motivados a buscar novas formas de aprendizado e interações sociais, abandonando a distração proporcionada pelos celulares.
Além disso, um grupo de alunos e professores defende o uso dos celulares como ferramentas para pesquisas, gravações e anotações, argumentando que isso pode otimizar o processo de ensino-aprendizagem. Para Alana Danielly Vasconcelos, professora e pesquisadora do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Tiradentes, a discussão atual não gira apenas em torno da presença dos celulares nas aulas, mas sim sobre como utilizá-los de maneira pedagógica. “O debate se divide entre o uso excessivo, que pode causar distração, e o potencial que essas tecnologias têm para promover a aprendizagem e a inovação”, explica.
O Equilíbrio Necessário entre Uso Pedagógico e Responsabilidade Digital
Alana enfatiza a importância de discutir as vantagens e desvantagens do uso de celulares na educação superior, buscando um equilíbrio entre as diferentes perspectivas. “Estamos diante de uma geração hiperconectada que aprende e se comunica através de tecnologias digitais. Ignorar essa realidade desconecta a universidade do mundo atual. Porém, a preocupação com a qualidade da atenção e da profundidade do aprendizado também é válida”, ressalta.
Uma das estratégias apontadas por Alana para encontrar esse equilíbrio é a integração consciente dos celulares nas metodologias ativas de aprendizagem. Isso se dá quando o smartphone é utilizado como um recurso valioso, deixando de ser uma fonte de distração. A professora sugere práticas como a produção de conteúdo em vídeo, podcasts e registros fotográficos, além do acesso a artigos e materiais acadêmicos em tempo real.
Para que essa integração seja eficaz, é essencial que os alunos estejam dispostos a utilizar os celulares para aprimorar seu aprendizado. Alana indica algumas práticas que podem ser adotadas, como habilitar modos de concentração ou silenciar notificações durante as aulas. Os alunos também podem utilizar os celulares exclusivamente para atividades orientadas pelo professor, realizar anotações digitais e estabelecer momentos específicos para o uso pessoal fora do ambiente escolar.
Conscientização e Ética no Uso da Tecnologia
Por outro lado, a professora alerta para abusos que podem comprometer o processo educacional, como o uso indiscriminado de redes sociais durante as aulas, plágio e dependência excessiva da tecnologia sem o desenvolvimento do pensamento crítico. “É crucial educar para um uso consciente e ético das tecnologias digitais, ao invés de simplesmente proibir”, conclui.
A Integração da Inteligência Artificial no Contexto Educacional
Além dos celulares, a discussão também se estende ao uso de inteligência artificial (IA) nas atividades acadêmicas, como o ChatGPT. Alana destaca que a IA pode ser uma grande aliada no processo de aprendizado, desde que usada de forma adequada. Ela acredita que a IA pode ajudar na organização de ideias, na elaboração de textos e na personalização do aprendizado, estimulando a criatividade e a produção de conhecimento.
No entanto, ela alerta que a utilização da IA também traz riscos, como a possibilidade de respostas superficiais ou a substituição do esforço intelectual. “O foco deve ser na formação em letramento digital e no uso ético da IA, ensinando como utilizá-la de maneira crítica. A IA deve ser uma mediadora, e não um atalho para o aprendizado”, conclui Alana.

