Erros Comuns no Uso de Medicamentos
Incorporar medicamentos à rotina é uma tarefa que pode se tornar complicada, tanto para quem precisa fazer uso deles por poucos dias, quanto para aqueles que dependem de tratamentos contínuos ao longo da vida. Muitas vezes, equívocos que parecem simples podem comprometer a eficácia dos tratamentos e agravar a saúde. A seguir, saiba como evitar os deslizes mais frequentes.
Indicações de Conhecidos: Cuidado!
Um dos erros mais comuns é a prática de indicar medicamentos que alguém da família ou amigos tomaram. O médico da Família e Comunidade da Secretaria de Saúde (SES-DF), Arthur Fernandes, explica que as condições de saúde, apesar de parecerem similares, são únicas para cada indivíduo. Por exemplo, uma dor de cabeça pode ter origens diferentes em duas pessoas. Enquanto uma sente desconforto devido ao estresse acumulado, a outra pode estar lidando com um histórico familiar preocupante, como acidentes vasculares cerebrais.
“Essa particularidade é o que chamamos de experiência de doença na medicina de Família e Comunidade”, diz Fernandes. O problema aumenta quando as recomendações não se limitam a medicações simples, mas envolvem tratamentos complexos, especialmente nas áreas da saúde mental e reprodutiva. Embora recomendar uma dipirona para dores simples não seja algo alarmante, replicar essa prática de forma indiscriminada, principalmente com medicamentos controlados, é arriscado.
Tratamento Sem Supervisão Médica
A situação se agrava ainda mais quando medicamentos são utilizados sem qualquer orientação profissional. O uso de substâncias, como a testosterona, com a expectativa de melhorar desempenho físico ou sexual sem a devida indicação médica, pode causar sérios danos à saúde. Fernandes alerta que esses medicamentos, quando usados indevidamente, podem resultar em efeitos colaterais graves, como problemas metabólicos, cardíacos e neurológicos, além de alterações de humor e corporais.
Entre as mulheres, um caso recorrente se dá no tratamento de infecções urinárias. Muitas vezes, elas utilizam antibióticos sem prescrição, o que pode criar resistência aos antimicrobianos. Essa resistência é uma resposta dos microrganismos, como bactérias e vírus, que conseguem sobreviver aos efeitos dos medicamentos. Atualmente, essa questão é objeto de ações globais de conscientização, já que, segundo o Ministério da Saúde, esse fenômeno causa 1,3 milhão de mortes diretas por ano e tem potencial para se tornar uma das principais causas de morte até 2050.
Abandono de Tratamentos Contínuos
Segundo Sara Ramos, da Diretoria de Assistência Farmacêutica da SES-DF, o abandono de tratamentos contínuos ocorre com frequência, mesmo quando os pacientes têm acesso aos medicamentos. Os motivos para essa interrupção variam entre o esquecimento e a autoavaliação, onde a pessoa acredita que já está curada. “Esse é um erro grave”, alerta a farmacêutica. Interromper um tratamento por conta própria pode ser perigoso, principalmente em casos de condições que não apresentam sintomas visíveis.
Ramos destaca que, ao sentir desconforto devido a efeitos colaterais, o ideal é retornar ao profissional de saúde para ajustes, e não suspender o uso do remédio. Doenças como colesterol alto, que podem ser silenciosas, e outras que aparentemente têm cura rápida, como a tuberculose, podem ser fatais se o tratamento for abandonado prematuramente.
Armazenamento Adequado dos Medicamentos
A eficácia de um remédio também está diretamente relacionada à forma como ele é armazenado. Locais úmidos, como banheiros, podem alterar as propriedades do medicamento, enquanto cozinhas devem evitar temperaturas extremas, tanto de frio quanto de calor. A farmacêutica recomenda cuidado até com aparelhos como airfryers, que podem gerar calor intenso quando ligados. Um armazenamento adequado é crucial para manter a eficácia dos tratamentos.
