Desafios na Educação Global

A Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) divulgou, nesta quarta-feira (25), o Relatório de Monitoramento Global da Educação (Relatório GEM) 2026, que traz dados alarmantes sobre a educação ao redor do mundo. A pesquisa aponta que 273 milhões de crianças, adolescentes e jovens estão fora da escola, um aumento de 3% desde 2015, marcando o sétimo ano consecutivo de crescimento nesse índice. Isso representa aproximadamente uma em cada seis crianças fora da educação formal. Além disso, o relatório revela que apenas dois terços dos jovens conseguem finalizar a educação secundária, caracterizando uma crise educacional em escala global.

Os fatores que contribuem para esse cenário incluem o crescimento populacional, crises socioeconômicas e cortes orçamentários que afetam a educação. A Unesco também observa que a população jovem fora da escola pode estar subestimada em 13 milhões, caso fossem consideradas informações adicionais de fontes humanitárias nos dez países mais impactados por conflitos.

Contagem Regressiva para 2030

Este relatório é o primeiro de uma série chamada Contagem Regressiva para 2030, que tem como objetivo avaliar o progresso educacional em três áreas principais: acesso e equidade (2026), qualidade e aprendizado (2027), e relevância educacional (2028-2029). A Unesco destaca a importância de monitorar esses aspectos para garantir um futuro melhor para as crianças em idade escolar.

Atualmente, cerca de 1,4 bilhão de estudantes estão matriculados em instituições de ensino, com um aumento significativo de 327 milhões (30%) no total de matrículas no ensino primário e secundário desde o ano 2000. A educação pré-escolar também apresenta crescimento, com um aumento de 45%, e o ensino superior registrou uma impressionante alta de 161%. Esse avanço significa que a cada minuto, mais de 25 crianças conseguem acesso à escola.

Casos de Sucesso e Desafios Persistentes

O relatório destaca exemplos positivos, como a Etiópia, onde a taxa de matrícula na educação primária subiu de 18% em 1974 para 84% em 2024. Na China, a expansão do ensino superior é notável, saltando de 7% para mais de 60% no mesmo período. Contudo, o acesso à educação pré-primária ainda é um desafio, com apenas 60% das crianças do ensino fundamental tendo recebido pelo menos um ano de educação pré-escolar.

Além disso, a permanência das crianças nas escolas mostra um crescimento estagnado desde 2015, especialmente na África Subsaariana, onde o aumento populacional e crises políticas limitam o acesso à educação. A Unesco alerta que mais de uma em cada seis crianças vive em áreas afetadas por conflitos, o que agrava o cenário educacional, levando a milhões de jovens fora da sala de aula.

Avanços e Desigualdades

Apesar das dificuldades, algumas nações conseguiram reduzir drasticamente as taxas de evasão escolar. Madagascar e Togo, por exemplo, diminuíram as taxas de abandono entre crianças, enquanto Marrocos e Vietnã mostraram progresso entre adolescentes. Entretanto, a educação de qualidade ainda é uma meta distante, com previsões indicando que o mundo só alcançará 95% de conclusão do ensino médio em 2105, se o ritmo atual se mantiver.

A Unesco também aponta para uma redução significativa nas taxas de repetência, caindo em 62% no ensino primário e em 38% no ensino médio inferior desde 2000. Porém, as escolas ainda enfrentam desafios com crianças que se matriculam tardiamente e não conseguem finalizar suas etapas no tempo adequado, especialmente em países de baixa e média-baixa renda.

Compromissos e Diretrizes Futuras

O Objetivo de Desenvolvimento Sustentável 4 (ODS 4) da ONU tem como meta garantir que todas as crianças do mundo concluam o ensino primário e secundário até 2030. Desde 2022, 80% dos países se comprometeram com metas nacionais para diversos indicadores relacionados ao ODS 4. A Unesco enfatiza a necessidade de um acompanhamento constante e robusto, além de um uso mais eficiente dos dados disponíveis, a fim de monitorar a participação e a equidade na educação.

De acordo com o relatório, é fundamental que os países alinhem suas metas educacionais com os planos de desenvolvimento e orçamento nacional, com base em experiências passadas. A Unesco também recomenda um intercâmbio de ideias que considere a realidade local, ressaltando que as políticas educacionais devem priorizar a equidade e a inclusão, especialmente para as populações mais vulneráveis.

Share.
Exit mobile version