Últimas Noites do Espetáculo

O espetáculo “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” chega ao seu clímax com as duas últimas apresentações de sua turnê nacional, programadas para os dias 28 de fevereiro e 1º de março, na Sala Martins Pena, localizada no Teatro Nacional Cláudio Santoro, em Brasília. Esta obra, que teve suas raízes criativas no Distrito Federal, retorna à sua cidade natal após passar por cidades importantes como Espírito Santo, Minas Gerais e São Paulo. Os ingressos para as apresentações podem ser adquiridos pela plataforma Sympla, e a expectativa é alta entre os amantes das artes cênicas.

Com dramaturgia, direção e atuação de Cláudia Andrade, o espetáculo oferece uma narrativa única que combina artes visuais, videoarte e recursos audiovisuais de forma inovadora. A montagem aborda temas relevantes, como a condição feminina, maturidade, relações de poder, finitude e questões sociais que permeiam a nossa realidade. Este trabalho marca a estreia de Cláudia como dramaturga, ampliando ainda mais sua atuação no universo das artes cênicas. A colaboração na direção ficou por conta de João Antônio, um professor e diretor respeitado na cena teatral brasileira.

A Turnê em Detalhes

Durante sua circulação, “Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” proporcionou 11 apresentações em diferentes cidades, integrando o projeto “Resistência nos Trilhos – Remontagem & Circulação”. Este projeto foi contemplado pelo Fundo de Apoio à Cultura da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Distrito Federal (FAC-DF), com o objetivo de democratizar o acesso ao teatro contemporâneo e promover apresentações que dialogam com variados contextos socioculturais.

A turnê levou a peça a locais como o Teatro Sesc Newton Rossi, em Ceilândia (DF); a Casa da Música Sônia Cabral, em Vitória (ES); o Palácio das Artes – Teatro João Ceschiatti, em Belo Horizonte (MG); e o Teatro Ruth Escobar – Sala Dina Sfat, em São Paulo (SP). Em cada um desses locais, foram implementadas ações de acessibilidade que incluíram sessões com intérpretes de Libras e audiodescrição, tornando o espetáculo acessível para todos.

Interação com o Público

Além das apresentações, o projeto também engajou a comunidade por meio de atividades voltadas a estudantes da Educação de Jovens e Adultos (EJA), pessoas com deficiência visual e membros de iniciativas sociais. Após cada sessão, o público teve a oportunidade de participar de conversas com as artistas, enriquecendo a experiência teatral. Em Brasília, uma ação especial permitirá que o público adquira ingressos com meia-entrada solidária, mediante a doação de leite em pó para a organização Vida Positiva, promovendo uma interação ainda mais significativa entre arte e responsabilidade social.

Elenco e Criação

Em cena, Cláudia Andrade traz à vida a personagem Gimena, dividindo o palco com Eloisa Cunha, que interpreta Silvia, e Genice Barego, na pele de Gaivota. Vale destacar que as três atrizes possuem mais de 50 anos, o que traz uma nova perspectiva ao espetáculo. A remontagem realizada durante a turnê incorporou ajustes com base no feedback do público nas cidades visitadas. A encenação inclui videoarte de Aníbal Alexandre, iluminação de Lemar Rezende e uma trilha sonora original de Mateus Ferrari, criando uma fusão de diferentes linguagens e recursos técnicos que enriquecem a narrativa.

A História por Trás do Espetáculo

O texto que originou o espetáculo foi desenvolvido em 2017, durante uma oficina chamada Caminhos, orientada pelo dramaturgo Maurício Arruda. A montagem passou por um rigoroso processo de consultoria dramatúrgica com Fernando Villar e análise técnica e preparação de elenco sob a supervisão de Humberto Pedrancini. A versão atual do espetáculo contou com a colaboração de João Antônio, que tem uma vasta trajetória no teatro brasileiro, com mais de seis décadas de experiência.

A primeira montagem foi lançada em 2022 e, em menos de três anos, retornou aos palcos em uma nova versão. A dramaturgia é uma colagem de fragmentos literários, referências musicais e citações de diversos autores, formando uma estrutura rica e diversificada que articula diferentes vozes e perspectivas.

Retorno à Capital

O final da turnê em Brasília representa um retorno significativo ao local onde todo o conceito do espetáculo foi criado. A apresentação na Sala Martins Pena, um dos principais espaços culturais da capital, insere a produção local em um contexto de relevância cultural e artística. A circulação foi viabilizada por meio de políticas públicas de fomento cultural do Distrito Federal, que busca apoiar e valorizar a produção artística regional.

Cláudia Andrade, com uma carreira de mais de quarenta anos nas artes cênicas, audiovisual e produção cultural, traz uma bagagem vasta para o espetáculo. Formada em jornalismo e comunicação pela Universidade de Brasília (UnB), sua experiência se estende a diversos países, incluindo Estados Unidos, França, Itália, Alemanha e Suíça. Ao longo de sua trajetória, Cláudia trabalhou em diferentes formatos, como atriz, bailarina, diretora e gestora de projetos culturais.

“Trilhas, Noite Cheia de Lua de Sol” é a materialização dessa rica trajetória, apresentando Cláudia não apenas como idealizadora, mas também como dramaturga, diretora e atriz. Após as apresentações em Brasília, o projeto conta com planos para a realização de oficinas em abril, além de debates sobre a circulação teatral no Brasil, ampliando as ações que compõem a turnê.

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