Análise do Cenário Econômico e Político

O ano de 2026 está se aproximando e, com ele, promete intensas discussões no campo político. Neste momento, com o recesso do Legislativo se estendendo até o dia 2 de fevereiro e a interrupção das atividades do Judiciário, o noticiário está centrado nas repercussões do caso do Banco Master. Esse episódio já atinge o Banco Regional de Brasília e envolve o ministro-relator do caso no Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. Informações indicam que seus irmãos e primos podem ter vinculação com o Master, que é sócio de um resort localizado no Paraná. Além disso, Daniel Vorcaro, o proprietário do Master, estava em negociações para uma fusão com o banco do governo do Distrito Federal, liderado por Ibaneis Rocha (MDB-DF), uma transação que foi barrada pelo Banco Central em setembro. Essa movimentação estava ligada a um rombo de R$ 12 bilhões que o banco enfrentava, com a pretendida fusão servindo como um aparente remédio para ocultar essas perdas.

A situação atual não apenas afeta o Master, mas também outros políticos envolvidos. As liquidações de instituições financeiras relacionadas ao caso têm sido recentes, incluindo a do Banco Central. Por outro lado, a atuação do ministro-relator Toffoli tem gerado desconfiança, especialmente após as investigações, que se desenrolam sob um manto de sigilo, revelarem transações questionáveis que impactaram significativamente o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) nas aplicações de até R$ 250 mil. A nota oficial do presidente do STF, Edson Fachin, não diminuiu as inquietações sobre a condução do caso pelo relator.

Até o momento, as indenizações chegam a uma cifra superior a R$ 40 bilhões, envolvendo perdas severas para aqueles que foram atraídos pelas promessas de altos juros do Master, uma inversão grave do tripé básico ‘segurança, liquidez e rentabilidade’ que deveria guiar escolhas de investimento. Também houve mais R$ 6 bilhões relacionados ao Will Bank, que enfrentou uma liquidação na quarta-feira, dia 21, após não honrar compromissos com o Mastercard (que, vale lembrar, é uma bandeira global de cartões). Aqui, fundos de pensão também se tornam protagonistas, pois devem explicar suas exposições a esses riscos.

Abertura do Open Finance e suas Consequências

A questão da abertura do sistema financeiro, conhecida como ‘open finance’, merece destaque. O ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, pode ter estimulado um cenário complicado ao ter reduzido drasticamente a taxa de juros durante a pandemia, além de ter liberado os depósitos compulsórios das instituições financeiras sem exigir ajustes prudenciais. O Master, que havia se aproveitado dessa fase de bonança, acabou enfrentando dificuldades com o aumento das taxas de juros em 2023 e 2024, prometendo rendimentos excessivos na tentativa de se recuperar.

Milton Maluhy Filho, presidente do Itaú e um dos principais apoiadores do FGC, chamou atenção para a necessidade de corrigir distorções regulatórias. O Master, que oferecia 140% do CDI em seus produtos, utilizava parcerias com instituições como XP Investimentos, BTG e Nubank para comercializar agressivamente CDBs e letras de crédito. Maluhy defende que aqueles que contribuíram para a desvalorização dos papéis do Master deveriam aportar mais recursos ao FGC, além de suas contribuições habituais, o que representaria um ônus desigual, especialmente para os bancos maiores.

Share.
Leave A Reply

Exit mobile version