Desafios da Categoria em Meio a Multas Indevidas
Os taxistas do Distrito Federal têm enfrentado um dilema: apesar de estarem autorizados a utilizar as faixas exclusivas de ônibus em algumas vias da capital, a realidade é que muitos acabam recebendo multas. Segundo as diretrizes atuais, as faixas localizadas nas W3 (Sul e Norte), no Eixo Monumental, além da EPTG e EPNB, são liberadas para uso dos táxis. No entanto, há restrições em corredores específicos, como os do BRT na EPIA Sul e no Setor Policial Sul.
O presidente do Sindicato dos Taxistas do DF, Sued Silvio, relatou que a categoria tem buscado apoio junto ao Detran e à Secretaria de Mobilidade, mas não obteve a resposta esperada. Silvio próprio já contabiliza 11 multas nos últimos dois anos, o que levanta questionamentos sobre a efetividade da regulamentação. ‘Estamos sem saber como agir. Num momento de baixa demanda, ter que parar para recorrer a multas é um golpe duro’, desabafou.
Em entrevista à TV Globo, o Detran enfatizou que os veículos de táxi precisam estar devidamente registrados na Secretaria de Mobilidade. Além disso, a autarquia informou que, se as infrações continuarem, cada caso será analisado separadamente para identificar possíveis falhas nos equipamentos ou inconsistências nos cadastros dos veículos. Se forem encontradas irregularidades, as multas poderão ser canceladas.
Por sua vez, o Departamento de Estradas de Rodagem (DER) afirmou que está implementando medidas para melhorar o controle das faixas exclusivas, além de intensificar a orientação aos taxistas, visando a evitar autuações indevidas.
Um Cenário de Insegurança e Frustração
Em relação às multas, o Detran-DF informou que, apenas neste ano, foram registradas cerca de 255 mil autuações por uso inadequado das faixas exclusivas. Esse número representa um aumento em relação às 238,2 mil autuações do ano anterior, indicando um padrão preocupante.
De acordo com o Código de Trânsito, trafegar em faixas exclusivas é considerado uma infração gravíssima, acarretando uma multa de R$ 293,47 e a adição de 7 pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Essa situação tem gerado grande preocupação e insatisfação entre os taxistas, que se sentem injustamente penalizados.
José Felix, taxista há anos, relatou ter recebido pelo menos três multas recentemente. ‘Prefiro evitar a faixa exclusiva para não enfrentar complicações. Recorrer é demorado e, enquanto isso, perco oportunidades de trabalho’, comentou. Da mesma forma, Fenelon Reis, outro taxista com longa trajetória, destacou que recebeu quatro multas em um curto período. ‘É injusto. Estamos apenas buscando o que nos foi permitido. Perder tempo e dinheiro com essas questões é frustrante’, desabafou.
Nonato Rodrigues, que também faz parte do grupo afetado, mencionou já ter sido multado nove vezes recentemente. ‘O tempo é precioso para nós, e ter que lutar por um direito que já deveria ser garantido é desgastante’, enfatizou.
Perspectivas e Esperanças
Com o crescente número de multas e a falta de comunicação efetiva com os órgãos responsáveis, os taxistas do DF se veem em uma posição complicada. Muitos acreditam que é necessário um diálogo mais próximo entre as autoridades e a categoria, para que as normas sejam devidamente compreendidas e aplicadas. O desejo é que as soluções para os problemas enfrentados se tornem mais claras e que a regulamentação seja respeitada, evitando, assim, penalizações desnecessárias.
Enquanto isso, a luta dos taxistas continua, em busca de um reconhecimento que garanta seus direitos e a possibilidade de trabalhar sem temer multas que, segundo eles, são injustas e muitas vezes indevidas.

