A Resposta do Ministro da Saúde
O ministro da Saúde, Carlos Padilha, foi o primeiro membro do alto escalão do governo brasileiro a se pronunciar sobre os recentes ataques do governo dos Estados Unidos à Venezuela. Neste último sábado, ele convocou uma reunião de emergência para discutir a operação militar e a captura do presidente Nicolás Maduro. Segundo fontes do Itamaraty, a prioridade é agora obter informações detalhadas sobre a situação antes de divulgar um posicionamento oficial.
“Desde o início das operações militares no país vizinho, preparamos a nossa Agência do SUS, a Força Nacional do SUS e nossas equipes de Saúde Indígena para minimizar os impactos do conflito na saúde e no Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. Que venha a PAZ! Enquanto isso, cuidaremos de quem necessitar de assistência em solo brasileiro”, declarou Padilha, enfatizando o compromisso do Brasil em acolher possíveis refugiados.
Preocupações no Cenário Regional
Como destacou a colunista Janaína Figueiredo, do GLOBO, o governo brasileiro já cogitava a possibilidade de um ataque dos Estados Unidos à Venezuela há várias semanas. Essa situação levou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a viajar até a Colômbia, participando de eventos importantes entre a Cúpula de Líderes de Belém e a COP30, com o intuito de reforçar que a América Latina deve continuar a ser uma zona de paz. Lula também se comunicou com Maduro no início de dezembro para discutir a crise.
A fronteira entre o Brasil e a Venezuela se estende por pouco mais de 2 mil quilômetros, abrangendo os estados de Roraima e Amazonas. Desde que teve início a crise migratória na Venezuela, em 2013 — ano em que Maduro foi eleito pela primeira vez, cercado por denúncias de fraude —, o Observatório da Diáspora Venezolana estima que cerca de 9,1 milhões de pessoas deixaram o país. A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (Acnur) reporta que a Venezuela já possui o maior número de refugiados do mundo, com 6,3 milhões de pessoas fugindo da crise.
Mediação e Diálogo Internacional
Nos últimos meses, o presidente Lula tem trabalhado para ser um mediador na escalada da tensão entre os EUA e a Venezuela. Em entrevista dada a jornalistas no dia 18 de dezembro, Lula defendeu a importância do diálogo para evitar o que chamou de “guerra fratricida” na região. O presidente brasileiro expressou a intenção de discutir a situação com Donald Trump antes do Natal, mas não há confirmação de que essa conversa tenha realmente ocorrido.
A operação militar na Venezuela foi anunciada por Trump através de uma rede social, onde informou que as forças americanas realizaram um “ataque de grande escala” ao país sul-americano. Detalhes adicionais seriam divulgados em uma coletiva de imprensa marcada para as 13h, no horário de Brasília, em Mar-a-Lago, na Flórida. No entanto, até o momento, Trump não esclareceu o destino de Maduro nem a base legal da captura.
Relatos de Ataques na Capital
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram helicópteros das Forças de Operações Especiais dos EUA sobrevoando Caracas durante a madrugada deste sábado, enquanto várias explosões iluminavam o céu da capital venezuelana. Relatos não confirmados indicam que as aeronaves seriam do modelo CH-47G Chinook, projetadas para operações de alto risco, e teriam participado de ataques que, segundo o governo da Venezuela, afetaram os estados de Miranda, Aragua e La Guaira, além de Caracas.
Moradores de Caracas relataram ao menos sete explosões e ruídos que lembravam o som de aviões por volta das 2h. Fontes locais informaram que um dos alvos atingidos foi a base militar de La Carlota, pertencente à Força Aérea venezuelana, bem como o Forte Tiuna. Esses ataques ocorreram após o envio de uma frota de navios de guerra dos EUA para o Caribe e a declaração de Trump de que os dias de Maduro à frente do governo estavam contados.

