Cuidado essencial para evitar acidentes durante o período de descanso escolar

O período de férias escolares é um momento aguardado por muitas famílias, trazendo consigo a oportunidade de descanso e lazer. No entanto, é igualmente um período que demanda atenção redobrada em relação à segurança das crianças. Com a rotina alterada, maior tempo em casa, viagens e atividades externas, o risco de acidentes infantis aumenta consideravelmente, e algumas dessas ocorrências podem resultar em sequelas graves ou até em morte.

De acordo com especialistas do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), a supervisão constante das crianças é a principal estratégia de prevenção. Durante as férias, essa vigilância se torna ainda mais crucial, uma vez que as crianças se encontram mais expostas a situações de risco.

Principais Acidentes Infantís

Os acidentes com crianças variam conforme a faixa etária, mas alguns são mais comuns e recorrentes. As quedas, queimaduras, engasgos, sufocamentos e intoxicações – seja por medicamentos ou produtos de limpeza – estão entre os incidentes mais frequentes. Durante o verão, os afogamentos também se tornam uma preocupação significativa.

A pediatra Maria Fernanda Spigolon, do Hospital Regional de Santa Maria (HRSM), destaca que a falsa sensação de segurança dentro de casa é um dos riscos mais graves para as crianças. “Em crianças menores, como bebês e pré-escolares, a maioria dos acidentes acontece no ambiente doméstico. Muitas vezes, os pais acham que tudo está seguro, mas um segundo de distração pode provocar um acidente”, alerta a médica.

Riscos Aumentados Durante as Férias

A dinâmica das férias escolares traz à tona diversas situações que podem ampliar o risco de acidentes. Viagens para locais desconhecidos, como casas de parentes ou hotéis, e a maior circulação de pessoas aumentam a necessidade de supervisão intensa. Segundo a pediatra, “o risco de afogamentos cresce consideravelmente, seja em piscinas, praias, rios ou até em baldes e banheiras. O mesmo se aplica a quedas em locais inadequados e queimaduras em churrasqueiras ou por fogos de artifício”.

Outro aspecto importante a ser destacado é a chamada supervisão diluída, que pode ocorrer em reuniões familiares. É comum que cada adulto acredite que outro está cuidando da criança, mas, na verdade, ninguém está prestando atenção. “Essa falha de comunicação pode levar a acidentes sérios”, adverte Maria Fernanda.

Impacto dos Acidentes nas Emergências Pediátricas

A alta incidência de acidentes domésticos reflete diretamente nos atendimentos nas emergências pediátricas. No pronto-socorro, os casos mais recorrentes envolvem quedas que resultam em traumas leves a moderados, queimaduras e ingestão acidental de medicamentos ou produtos químicos. Períodos de férias e feriados prolongados são especialmente críticos, com um aumento notável de casos graves, como afogamentos e intoxicações. “Esses acidentes têm alto potencial de causar mortes ou sequelas permanentes”, destaca a médica.

Os Números Alarmantes de Acidentes

Os dados do Ministério da Saúde são alarmantes. Em 2024, 456 crianças e adolescentes de 0 a 19 anos perderam a vida no Brasil devido a acidentes domésticos, sendo os sufocamentos (213) e os afogamentos (104) as causas mais comuns. Entre 2010 e 2023, o país registrou mais de 71 mil mortes por afogamento, envolvendo todas as faixas etárias.

Prevenção: O Melhor Caminho

A prevenção é a abordagem mais eficaz para minimizar os acidentes envolvendo crianças. A pediatra Maria Fernanda enfatiza que essa ação deve ser estruturada em dois pilares: supervisão ativa e adaptação do ambiente. “A prevenção começa em casa. É fundamental instalar redes de proteção e grades de segurança, manter medicamentos e produtos de limpeza fora do alcance, proteger tomadas e evitar deixar as crianças sozinhas em ambientes com água, nem que seja por um breve momento”, orienta.

Outro cuidado necessário é ajustar a temperatura da água do banho para evitar queimaduras.

O Que Fazer em Caso de Acidente

Se um acidente ocorrer, a primeira medida é retirar a criança da situação de risco, sempre que isso seja seguro para quem está prestando socorro, e chamar imediatamente os serviços de emergência, como o Samu (192) ou o Corpo de Bombeiros (193). Sempre que possível, inicie manobras de primeiros socorros até a chegada do atendimento especializado. “É crucial que, mesmo que a criança pareça bem após um incidente sério, como afogamento ou ingestão de substâncias, ela seja avaliada em um serviço de saúde, uma vez que complicações graves podem surgir horas após o ocorrido”, finaliza a especialista.

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