Um Novo Olhar para a Saúde Mental no Trabalho
A partir de maio de 2026, as empresas brasileiras deverão se adaptar às novas diretrizes da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1), que traz significativas atualizações nas práticas de Segurança e Saúde no Trabalho. Essa norma inclui a identificação e gestão de riscos psicossociais, como estresse, assédio e burnout, que afetam diretamente o bem-estar dos colaboradores. A medida reflete um avanço na abordagem da saúde mental, alinhando-a ao rigor já aplicado em riscos físicos, químicos e biológicos.
Antecipando essas mudanças, o Serviço Social da Indústria da Construção Civil do Distrito Federal (Seconci-DF) começou a implementar uma metodologia estruturada para monitorar esses riscos nos canteiros de obras. O objetivo é não apenas atender a legislação, mas também promover ambientes de trabalho mais saudáveis por meio do Programa de Gerenciamento de Riscos (PGR).
Compromisso com a Saúde Mental dos Trabalhadores
Eduardo Aroeira Almeida, presidente do Seconci-DF, destaca a importância dessa iniciativa: “O aumento dos afastamentos por questões de saúde mental no Brasil tornou evidente a necessidade de tratar os riscos psicossociais com a mesma seriedade que dedicamos aos riscos físicos e operacionais. Nossa instituição está comprometida em estabelecer uma metodologia que dialogue com a realidade da construção civil, focando na saúde mental, produtividade e prevenção de acidentes”, afirma.
A metodologia adotada pelo Seconci-DF é baseada na ferramenta internacional HSE Management Standards Indicator Tool (HSE-IT), adaptada para as especificidades do setor. Essa abordagem considera a linguagem acessível e a aplicação prática necessária nos canteiros de obras.
Projeto Piloto e Resultados Esperados
O projeto piloto iniciado pelo Seconci-DF ocorreu na Construtora Villela e Carvalho, onde 39 colaboradores participaram de um questionário sobre os riscos psicossociais. Os dados coletados serão analisados e apresentados em um relatório que indicará a situação da empresa e as ações necessárias para promover um ambiente de trabalho saudável.
Segundo Lander Cabral, diretor da Villela, a inclusão dos riscos psicossociais no PGR representa uma transformação na cultura organizacional: “As empresas estão mudando sua perspectiva, deixando de focar apenas nos riscos físicos e químicos, e passando a considerar também fatores como estresse, assédio e conflitos interpessoais, que impactam a saúde mental dos colaboradores. A revisão dos programas de Segurança e Saúde, capacitação de lideranças e a criação de canais de denúncia são essenciais nesse processo”, compartilha.
Suporte Técnico e Ferramentas Eficazes
O Seconci-DF assume um papel essencial no suporte técnico às empresas do setor. Geórgia Grace Bernardes, gerente-geral da entidade, enfatiza: “Nosso objetivo é proporcionar ferramentas seguras e embasadas cientificamente para que as empresas atendam à legislação, enquanto promovem um ambiente de trabalho mais saudável”.
Juliana Moreira de Oliveira, gerente de Segurança do Trabalho da instituição, ressalta a importância da aplicação eficaz da metodologia: “É crucial analisarmos os resultados e, a partir deles, calibrarmos o instrumento para garantir que ele produza informações úteis para as empresas”, explica.
Desafios e Oportunidades no Setor
Com a crescente demanda por serviços no setor, é vital que as empresas reavaliem suas abordagens de gestão, especialmente em períodos de maior movimento. O desafio é garantir que as escalas de trabalho sejam ajustadas para evitar sobrecargas, enquanto se mantém a qualidade do atendimento e a saúde dos profissionais.
Eduardo Aroeira Almeida conclui que esse novo foco na saúde mental pode não apenas melhorar o clima organizacional, mas também resultar em maior produtividade e redução de acidentes, essencial para o desenvolvimento sustentável do setor da construção civil.

