Ambiente Controverso para Crianças em Escola Pública
Investigações recentes trouxeram à tona o uso de uma chamada ‘sala das emoções’ em uma escola pública no Distrito Federal, onde crianças, especialmente aquelas com transtorno do espectro autista, eram levadas quando choravam. De acordo com relatos de 2024, essa sala era caracterizada por paredes e janelas escuras, apresentando um ambiente não acolhedor, com tatames pretos tanto no chão quanto nas paredes, além de janelas fechadas e cobertas por películas escuras.
Em depoimentos, professores relataram que muitas crianças demonstravam resistência em ir para essa sala e, após a saída, costumavam ficar acuadas, apresentando até sinais de machucados. Algumas delas se escondiam debaixo das mesas como uma forma de escapar da situação.
Reação da Secretaria de Educação e Denúncias dos Pais
A Secretaria de Educação do DF confirmou que o caso já havia sido alvo de uma apuração administrativa. Contudo, com as novas evidências surgidas, afirmaram que novas medidas serão tomadas. Um episódio marcante ocorreu em 2024, quando uma professora deixou a escola e alertou os pais sobre a existência da ‘sala das emoções’. Após conversas com seus filhos, uma mãe registrou um boletim de ocorrência, buscando respostas sobre a situação.
Durante a investigação, a diretora da escola declarou que a ‘sala’ era parte de um projeto pedagógico intitulado ‘o coração que sente e fala’, que havia sido aprovado pela comunidade escolar. O objetivo, segundo ela, seria acolher os alunos e funcionários em momentos críticos de desregulação emocional, especialmente para os estudantes autistas. No entanto, os pais das crianças negaram que tivessem sido informados sobre o espaço em reuniões no início do ano letivo.
Conclusões da Polícia Civil
Após a conclusão do inquérito, a Polícia Civil apontou que as diretoras da escola ultrapassaram os limites do poder pedagógico ao expor as crianças a situações que poderiam comprometer sua saúde e segurança. A prática foi considerada um abuso de meios de correção. A Secretaria de Estado de Educação do Distrito Federal (SEEDF) anunciou que a situação envolvendo a Escola Classe 03 da Estrutural já havia sido analisada anteriormente, com a Corregedoria da Pasta realizando investigações que resultaram no arquivamento do caso. Contudo, a nova divulgação das informações levou à reavaliação do assunto.
Com o recente indiciamento das gestoras pela Polícia Civil, a SEEDF determinou a adoção imediata de providências para rever o caso. A Corregedoria irá solicitar acesso ao inquérito policial para analisar as provas apresentadas e avaliar a possibilidade de reabertura de uma nova apuração no âmbito administrativo disciplinar.
A Secretaria reafirmou seu compromisso com a proteção dos alunos e contestou veementemente qualquer prática que viole os direitos dos estudantes. A SEEDF também ressaltou a importância de um ambiente escolar que respeite e proteja todos os seus alunos, prometendo uma investigação rigorosa de todas as denúncias que surgirem.
