Alta Incidência de Roubos e Furtos de Celulares no Distrito Federal

O Distrito Federal registrou 5.149 ocorrências de roubo e furto de celulares no primeiro trimestre de 2026, conforme dados da Polícia Civil (PCDF). Isso representa uma média de 28 aparelhos subtraídos por dia, ou seja, um celular roubado ou furtado a cada 52 minutos. Dos casos registrados neste período, 1.686 foram classificados como roubos, que envolvem violência ou grave ameaça, e 3.463 como furtos, quando esses elementos estão ausentes.

Em 2025, a PCDF contabilizou 20.425 ocorrências desse tipo, sendo 6.741 roubos e 13.684 furtos, segundo o Departamento de Inteligência, Tecnologia e Gestão da Informação (DGI). O celular é o principal alvo da criminalidade em espaços públicos como ruas e ônibus do DF. De acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2026, o aparelho esteve presente em 74% dos roubos monitorados entre 2021 e 2024, caindo para 71,7% em 2025, o menor índice em cinco anos, mas ainda o mais visado pelos criminosos.

Operação Rastreamento Final e Recuperação de Aparelhos

Para combater essa tendência, a PCDF intensificou a Operação Rastreamento Final, iniciada em 2024. A iniciativa tem como foco a localização e devolução dos celulares roubados ou furtados e já restituiu 1.346 dispositivos até a quinta edição da operação. Desde 2021, a Polícia Civil recuperou cerca de 16 mil aparelhos, avaliados em aproximadamente R$ 40 milhões, conforme destacou o delegado-geral José Werick de Carvalho em maio deste ano.

“A 5ª edição da Operação Rastreamento Final simboliza o compromisso da Polícia Civil do DF em não aceitar esse tipo de crime. Graças aos boletins de ocorrência, conseguimos investigar, identificar os autores e devolver os bens à população”, afirmou o delegado-geral.

Regiões com Maior Incidência de Crimes contra Celulares

Em 2025, Ceilândia liderou o número de roubos de celulares no DF, com 1.646 ocorrências, representando 24% do total. Samambaia e Plano Piloto vêm em seguida, com 784 (11,63%) e 696 (10,32%) casos, respectivamente. Já em relação aos furtos, Brasília registrou 3.832 casos (28%), seguida por Ceilândia, com 1.964 (14,35%), e Taguatinga, com 1.672 (12,22%).

O Governo do Distrito Federal (GDF) tem investido desde 2016 em políticas públicas para reduzir esses crimes. Entre as ações destacam-se o Sistema de Investigação Telefônico e Telemático (Sittel), o Programa Fora da Rede, da PCDF, e o Programa Celular Seguro, lançado em 2023 pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Especialistas Alertam para Riscos e Impactos dos Crimes

Para o especialista em segurança pública Leonardo Sant’Anna, professor do Instituto Superior de Ciências Policiais (ISCP), o número de 16 mil aparelhos recuperados é um indicativo positivo do trabalho policial e da mudança de postura das instituições. Ele destaca que o celular se tornou o alvo preferencial dos criminosos por apresentar baixo risco e alto retorno financeiro.

Sant’Anna alerta para a exposição dos usuários, já que muitos dispositivos podem custar mais de R$ 10 mil e armazenam dados pessoais sensíveis. “A comunidade precisa redobrar a atenção, pois esses equipamentos são alvo constante devido ao valor financeiro e às informações que contêm”, completou.

Histórias de Vítimas e Impactos Além dos Números

Por trás das estatísticas, há relatos de vítimas que enfrentam traumas e mudanças de rotina. Ana Beatriz Moreira, de 28 anos, foi vítima de roubo à mão armada em 2023, em Samambaia Sul. Após o crime, desenvolveu transtorno de estresse pós-traumático, precisou de tratamento e alterou sua rotina por medo de usar a mesma parada de ônibus. O agressor foi preso e condenado a pagar indenização por danos morais, mas Ana ainda sente a sensação de impunidade.

A advogada Letícia Fernandes Vargas Rousseau Nunes, de 25 anos, teve o celular furtado na Galeria dos Estados, no Plano Piloto, em janeiro deste ano. Apesar do registro do boletim de ocorrência, não recebeu retorno das autoridades e lamenta a falta de atualizações sobre o caso, o que reforça a sensação de insegurança entre as vítimas.

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