Atrações turísticas ressaltam a importância do design único da capital federal
Brasília, com suas curvas arrojadas e estruturas em aço, é um verdadeiro ícone do design moderno. Em reconhecimento a essa singularidade, a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) nomeou a capital federal como Cidade Criativa do Design em 2017. Além de Brasília, apenas outras duas cidades brasileiras possuem tal título: Curitiba e Fortaleza. Recentemente, o II Fórum das Cidades Criativas do Design teve início, promovendo discussões sobre iniciativas que visam o intercâmbio cultural e o desenvolvimento urbano sustentável. Um dos destaques do evento foi a apresentação da nova rota turística voltada para o design na capital.
A Rota do Design do Distrito Federal foi criada para apresentar Brasília sob a ótica do design, integrando arte, urbanismo e arquitetura. O city tour, que reuniu 16 designers de diversas partes do Brasil, tem como proposta valorizar a nova vertente turística da capital.
Este projeto é uma realização da Secretaria de Turismo do Distrito Federal (Setur DF) e sua conclusão está prevista para o final deste ano. Franklin da Cruz, subsecretário de turismo do DF, ressaltou a importância de promover a arquitetura da cidade. “Brasília é reconhecida mundialmente por suas características únicas. Com essa rota, buscamos destacar um aspecto significativo da cidade e narrar sua história”, afirmou. O projeto contou com a colaboração de 120 designers do Conselho de Design do Instituto da Associação Comercial do Distrito Federal, que, através de um questionário, indicaram os principais pontos a serem incluídos na rota.
Um passeio por ícones da capital
A rota abrange os locais que melhor representam os princípios de arquitetura e design de Brasília, planejados por Juscelino Kubitschek e executados por renomados arquitetos como Oscar Niemeyer e Lúcio Costa. O design inovador da cidade atrai turistas de todo o Brasil, como a designer carioca Cláudia Ferrari, de 33 anos, que visitou Brasília pela primeira vez para participar do fórum. Durante o passeio, ela expressou sua admiração: “Estou vendo de perto tudo o que só ouvi falar. Conhecer a história da construção dessa cidade tão importante é algo incrível”, destacou.
Os participantes do passeio foram guiados por Sérgio Afonso, que fez questão de transmitir seu amor pela cidade onde nasceu. “Meu pai ajudou a construir Brasília. Isso é um orgulho para minha família. Apresentar todas essas belezas é uma sensação única”, compartilhou.
Ele, autodidata, se aprofundou nos detalhes da cidade por causa de sua paixão por cada monumento. “Amo cada canto desta cidade e faço questão de valorizar tudo o que posso”, completou.
Além dos moradores locais, Brasília também cativa aqueles que, mesmo distantes, guardam nela uma parte especial de suas histórias. Bruno Porto, de 54 anos, que atualmente vive no Canadá, se considera “um brasiliense de coração”. Ele viveu na capital entre 2012 e 2018 e coordenou o curso de design no Centro Universitário IESB. Para ele, a nova rota focada na arquitetura será um marco importante. “Hoje visitamos muitos monumentos conhecidos, mas também descobrimos outros que merecem mais atenção, como a Praça dos Cristais. Brasília é fascinante por suas grandes obras e pelos novos encantos que surgem a cada visita”, analisou.
A arte dos azulejos de Athos Bulcão
Entre as características mais icônicas de Brasília estão os azulejos do artista Athos Bulcão, que adornam diversas paredes da cidade, incluindo prédios públicos e até banheiros no Parque da Cidade. A última parada do passeio acompanhada pelo Correio foi a Fundação Athos Bulcão, criada para preservar seu legado.
Rosângela Souza Araújo, 41 anos, que veio de Curitiba, comentou sobre a relevância desse espaço para a história de Brasília. “É incrível ter um local dedicado às suas obras; possuem um valor inestimável”, disse. Para ela, caminhar por Brasília é como estar em um parque temático. “Visitar o Plano Piloto e esses edifícios que remontam à época de Juscelino é a cereja do bolo para um city tour na cidade”, enfatizou.
Ruth Klotzel, 67 anos, também destacou a criação da cidade como um marco na arquitetura mundial. “Na época em que foi construída, Brasília trouxe um design inovador. É um legado muito ousado”, comentou. Ela também elogiou o novo roteiro. “É a minha quinta visita a Brasília e, desta vez, conheci lugares que ainda não havia visitado”, acrescentou.
O Fórum das Cidades Criativas do Design
O Fórum, que ocorre pela primeira vez em Brasília, é organizado pela Associação Comercial do Distrito Federal (ACDF) e sua segunda edição foi realizada com apoio do GDF e da Setur. O evento, que se estenderá até a próxima sexta-feira (13/3), na sede da Associação, apresenta debates e palestras. Hoje, temas como “O Design Brasileiro” e “Design Sem Fronteiras” serão abordados por especialistas, incluindo Bruno Porto, que compartilha suas experiências e visões sobre o design no Brasil.

