Saída dos EUA da OMS: Consequências e Preocupações
Os Estados Unidos devem oficializar sua retirada da Organização Mundial da Saúde (OMS) nesta quinta-feira (22), uma decisão que tem gerado alarmes sobre as repercussões para a saúde pública, tanto no país quanto globalmente. Especialistas avisam que essa saída pode não apenas impactar negativamente a saúde americana, mas também representar uma violação de uma legislação interna que exige o pagamento de aproximadamente US$ 260 milhões em taxas devidas à agência de saúde da ONU.
A decisão de se retirar foi anunciada pelo então presidente Donald Trump em seu primeiro dia de mandato, em 2025, através de uma ordem executiva. A legislação americana estipula que o país deve notificar a OMS com um ano de antecedência e liquidar todas as taxas pendentes antes de se desvincular da organização.
Nesta quinta-feira, um representante do Departamento de Estado dos EUA declarou que a falta de eficácia da OMS em manejar e disseminar informações durante crises de saúde custou trilhões ao país. Consequentemente, o presidente decidiu interromper qualquer transferência futura de recursos ou apoio do governo americano para a OMS.
“Os cidadãos americanos já contribuíram em demasia para essa organização e o impacto econômico que isso gerou supera muito qualquer obrigação financeira que ainda tenhamos em aberto”, enfatizou o porta-voz em uma comunicação por e-mail.
Reconsideração e Retorno Improvável
Nos últimos meses, muitos especialistas em saúde global fizeram apelos para que a decisão fosse revista, incluindo o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, que expressou esperança de que os EUA voltassem a se integrar à organização. “A saída da OMS representa uma perda significativa não apenas para os Estados Unidos, mas para todo o mundo”, comentou ele durante uma coletiva de imprensa recente.
A OMS também alertou que os EUA ainda não haviam realizado os pagamentos devidos referentes aos anos de 2024 e 2025. O Conselho Executivo da OMS deve discutir a saída dos EUA e suas implicações em reunião agendada para fevereiro, conforme informações recebidas de um porta-voz da organização.
Lawrence Gostin, diretor do Instituto O’Neill de Direito da Saúde Global da Universidade de Georgetown, destacou que esta situação representa uma clara violação das leis internas americanas, embora acredite que Trump possa escapar de quaisquer consequências legais.
Durante uma entrevista em Davos, Bill Gates, presidente da Fundação Gates e importante financiador de iniciativas globais em saúde, não mostrou otimismo quanto a uma possível reconsideração por parte dos EUA. “Não creio que os Estados Unidos voltem à OMS em um futuro próximo”, afirmou, sublinhando a importância da organização para o mundo.
Consequências da Retirada para a Saúde Global
A saída dos Estados Unidos da OMS já está provocando uma crise orçamentária na organização, que levou a uma drástica redução da sua equipe de gestão e das atividades globais. Tradicionalmente, Washington tem sido o maior financiador da OMS, contribuindo com cerca de 18% do financiamento total da agência. A organização agora planeja cortar cerca de um quarto de seu quadro de funcionários até o meio do ano.
Apesar do cenário desafiador, a OMS afirmou estar em constante colaboração com os EUA e compartilhando informações. Contudo, a maneira como essa parceria será mantida daqui em diante permanece incerta.
Especialistas em saúde global alertam que a saída dos EUA representa riscos significativos não apenas para a OMS, mas também para a segurança de saúde pública em todo o mundo. Kelly Henning, responsável pelo programa de saúde pública da Bloomberg Philanthropies, declarou que “o desligamento dos EUA pode enfraquecer os sistemas e colaborações essenciais para detectar, prevenir e responder a ameaças à saúde”.

