Análise do Mercado de Milho
O mercado de milho no Brasil tem apresentado uma tendência de queda nos preços, conforme aponta um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq-USP). Os pesquisadores indicam que essa retração é consequência da diminuição da demanda interna, somada a melhores previsões para a produção nacional e maior flexibilidade dos produtores nas negociações.
Ainda que as estimativas de produção para o ciclo 2025/26 tenham sido ligeiramente reduzidas, o volume projetado permanece elevado, mantendo a pressão sobre o mercado. Essa situação é reflexo da dinâmica das ofertas globais, que também afetam os preços internacionais.
Pressão da Oferta Global
No cenário internacional, a queda nos preços também é impulsionada pela expectativa de uma oferta mundial generosa, especialmente nos Estados Unidos, que se destaca como o principal produtor de milho do mundo. Um relatório recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) revelou que a safra global de milho para 2025/26 está estimada em 1,29 bilhão de toneladas. Esse número é superior ao total de 1,28 bilhão de toneladas projetadas em dezembro de 2025 e aos 1,23 bilhão de toneladas da temporada anterior.
Esse aumento na produção é sustentado pelo crescimento das safras norte-americana e chinesa, o que contribui para a formação de estoques altos e pressiona ainda mais os preços internacionais do grão.
Produção Brasileira e Projeções
No Brasil, os dados mais recentes da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostram que a produção total de milho, considerando as três safras, deve atingir 138,86 milhões de toneladas no ciclo 2025/26. Embora esse volume represente uma queda de 1,5% em relação à safra anterior, analistas consideram essa marca robusta, o que se reflete na continuidade das baixas nos preços internos.
Mercado de Fertilizantes em Alta
Adicionalmente, o mercado de fertilizantes brasileiros concluiu o ano de 2025 com sinais claros de aquecimento e confiança no campo. Dados divulgados pela Associação Nacional para a Difusão de Adubos (ANDA) indicam que as entregas ao setor agrícola atingiram 5,08 milhões de toneladas em outubro, um aumento de 2,1% em comparação ao mesmo mês do ano anterior. No total, de janeiro a outubro, o volume registrado chegou a 40,94 milhões de toneladas, representando um crescimento significativo de 8,4% na comparação anual.
Mato Grosso: Líder no Consumo de Fertilizantes
O estado de Mato Grosso mantém sua posição de liderança no consumo de fertilizantes, respondendo por 22% da demanda nacional. Até outubro, foram entregues 9,05 milhões de toneladas no estado, consolidando sua relevância no cultivo de soja, milho e algodão. Outros estados que se destacam nesse cenário incluem Paraná, São Paulo, Rio Grande do Sul, Goiás, Minas Gerais e Bahia, que juntos representam a concentração do consumo de fertilizantes nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil.
Produção e Importação de Fertilizantes
Apesar do aumento nas entregas, a produção interna de fertilizantes intermediários apresentou uma pequena retração de 2,2% em outubro, com 631 mil toneladas fabricadas. Entretanto, ao considerar o acumulado do ano, a produção mostra um crescimento de 5,7%, totalizando 6,2 milhões de toneladas entre janeiro e outubro, sinalizando uma recuperação gradual da indústria nacional de insumos.
As importações de fertilizantes continuam sendo essenciais para atender à demanda do setor agrícola. Em outubro de 2025, o Brasil importou 4,38 milhões de toneladas, uma leve queda de 1,1% em relação ao mesmo período de 2024. Contudo, no acumulado anual, o total importado chegou a 35,88 milhões de toneladas, apresentando um crescimento de 7,1% em comparação ao ano anterior. O Porto de Paranaguá se destaca como o principal ponto de entrada, com 8,89 milhões de toneladas desembarcadas até outubro, representando 24,8% do total importado no país.
Impulsos na Produtividade e Sustentabilidade
Conforme especialistas do setor, o aumento no uso de fertilizantes está diretamente associado à busca por maior produtividade e à sustentabilidade nas lavouras. A adoção de práticas agrícolas eficientes e investimentos em tecnologia têm fortalecido o desempenho do agronegócio, consolidando o Brasil como um dos principais produtores e exportadores de alimentos no cenário internacional.
