Projeto Cidade + Segura: A Nova Fronteira da Segurança Pública no DF

Recentemente, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) recebeu os relatórios finais do projeto Cidade + Segura, que visa combater a sensação de insegurança entre os cidadãos, mesmo diante da queda acentuada nos índices de criminalidade. Esse estudo foi entregue no dia 22 de março e surge em um contexto em que o DF registrou, em fevereiro, o menor número de homicídios desde 1977. A iniciativa, desenvolvida durante dois anos em colaboração com a FAPDF, Finatec e a Universidade de Brasília (UnB), tem como objetivo aprofundar o diagnóstico sobre o medo do crime e orientar as políticas públicas com base em evidências concretas.

O cerne do projeto é investigar as razões que levam a população a se sentir insegura, mesmo com a redução dos índices criminais. Para isso, a iniciativa contou com diagnósticos, pesquisas de campo e grupos focais, que mapearam os fatores que influenciam a percepção de segurança no cotidiano dos cidadãos.

O secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, ressaltou que os dados estatísticos positivos por si só não bastam. “O Distrito Federal tem alcançado resultados históricos na redução da criminalidade, como demonstram os dados mais recentes. Contudo, segurança pública não se mede apenas por números. É essencial que a comunidade se sinta segura em sua rotina”, explicou Avelar. Ele também afirmou que o projeto permite uma compreensão mais profunda dessa percepção, possibilitando a formulação de políticas públicas mais eficazes.

A Importância da Pesquisa e Seus Resultados

A pesquisa foi coordenada pelo Núcleo de Estudos sobre Violência e Segurança da UnB (Nevis), sob a liderança do professor Arthur Trindade Maranhão Costa. Ele destacou a relevância do material para fundamentar as futuras estratégias da secretaria. “Diminuir a sensação de insegurança é um dos principais desafios do Distrito Federal. Nossa pesquisa buscou levantar informações e dados que ajudem a orientar políticas públicas relacionadas ao tema”, afirmou o professor.

No total, foram apresentados quatro relatórios: um diagnóstico geral sobre o medo do crime, um planejamento estratégico, e dois estudos específicos focados no Setor Comercial Sul (SCS) e no sistema de transporte coletivo. Os documentos identificam que aspectos como desordens urbanas, iluminação inadequada e infraestrutura precária estão diretamente ligados à sensação de insegurança.

Com base nas conclusões, o projeto propôs recomendações práticas. Para o SCS, o estudo sugere ações já em curso, como a ampliação do sistema de videomonitoramento e a criação da Unidade Integrada de Segurança Pública (Uisp). Quanto ao transporte coletivo, as melhorias em iluminação, reforço na vigilância e a criação de canais de denúncia foram apontados como fundamentais para aumentar a segurança.

Cientificidade na Gestão Pública

A iniciativa utilizou o conceito de Prevenção do Crime por Meio do Design Ambiental (CPTED), que analisa como o planejamento urbano pode ajudar a reduzir vulnerabilidades. Isângelo Senna, integrante da Comissão Técnica da SSP-DF, destacou que essa abordagem é mais abrangente do que o tradicional policiamento. “Enfrentar esse desafio requer um diagnóstico qualificado, ouvindo a população e implementando intervenções baseadas em evidências sobre os fatores que influenciam a percepção de segurança”, explicou Senna.

Leonardo Reisman, presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa do DF (FAPDF), reforçou a importância da ciência na resolução de problemas sociais. “Acreditamos que a ciência pode transformar a sociedade. Os resultados deste projeto ilustram como o conhecimento acadêmico pode guiar decisões mais eficientes e contribuir para a melhoria da segurança pública no Distrito Federal. Investir em pesquisa aplicada é investir em soluções concretas para desafios complexos”, enfatizou Reisman.

Por fim, o projeto estabelece uma base sólida para monitorar as políticas públicas de segurança. Uma nova coleta de dados está programada para o segundo semestre de 2026, permitindo comparações entre os cenários antes e depois das intervenções e avaliando o impacto das ações implementadas.

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