Iniciativa Transformadora no Cuidado com Diabetes
O Distrito Federal se destaca como um dos estados selecionados para um inovador projeto-piloto de migração da insulina NPH para a insulina Glargina, no âmbito da Atenção Primária à Saúde (APS), através do Sistema Único de Saúde (SUS). Esta iniciativa, coordenada pelo Ministério da Saúde, busca qualificar o atendimento às pessoas que convivem com diabetes, avaliando aspectos assistenciais, logísticos e operacionais que impactam diretamente na organização do serviço público de saúde.
Na última semana, no auditório da Fundação de Ensino e Pesquisa em Ciências da Saúde (Fepecs), profissionais da Secretaria de Saúde do DF (SES-DF) participaram de uma capacitação voltada para a implementação dessa estratégia. O treinamento trouxe à tona a importância do uso correto das canetas aplicadoras de insulina Glargina, abordando fluxos de recebimento e troca pelo paciente, além de orientar sobre o manejo clínico e o armazenamento adequado do medicamento. Outros estados como Amapá, Paraíba e Paraná também estão envolvidos no mesmo projeto.
Ricardo Ramos, diretor da Estratégia Saúde da Família do DF, destacou a relevância dessa capacitação: “Esse treinamento reforça o alinhamento entre a Secretaria de Saúde e o Ministério da Saúde, evidenciando nossa preocupação em qualificar a assistência. A insulina Glargina facilita o dia a dia dos pacientes, o que pode contribuir para uma maior adesão ao tratamento”.
Resposta do Ministério da Saúde a Escassez de Insulina
A iniciativa surge como resposta à escassez global de insulinas humanas NPH (protamina neutra de Hagedorn), identificada desde 2023. A migração para a insulina Glargina amplia as opções terapêuticas disponíveis no SUS, garantindo a continuidade do cuidado a indivíduos com diabetes. A Glargina já é utilizada no Componente Especializado da Assistência Farmacêutica, conhecido como Farmácia de Alto Custo, para pacientes com diabetes tipo 1 e agora será avaliada também para aqueles com diabetes tipo 2.
O projeto ainda prevê a ampliação do uso desse medicamento na APS, com um sistema de farmacovigilância rigoroso e capacitação contínua das equipes de saúde. Danielle Moreira, coordenadora-geral de Atenção às Condições Crônicas do Ministério da Saúde, ressaltou: “É uma iniciativa que amplia o acesso a uma tecnologia segura e eficaz, com menor incidência de efeitos adversos, contribuindo para melhorar a qualidade de vida dos usuários atendidos pelo SUS”.
Público-Alvo e Processo de Migração
O público-alvo inicial inclui crianças e adolescentes de 2 a 17 anos com diabetes tipo 1, além de pessoas com 80 anos ou mais que tenham diabetes tipo 1 ou tipo 2. A migração para a insulina Glargina será feita de maneira gradual, sem a substituição total da insulina NPH, permitindo que a rede de saúde organize os fluxos e avalie a adesão em condições reais de atendimento.
A diferença fundamental entre as duas insulinas reside no tempo de ação. A insulina NPH apresenta ação intermediária, com duração de 12 a 18 horas, exigindo múltiplas aplicações diárias. Por outro lado, a insulina Glargina oferece ação prolongada de até 24 horas, geralmente aplicada uma vez ao dia, o que garante maior estabilidade glicêmica e diminui o risco de hipoglicemia, uma condição marcada pela baixa concentração de glicose no sangue.
