Iniciativa Inovadora na Educação
A Universidade Estadual Paulista (Unesp) lança um novo programa focado na formação de professores, funcionários e alunos homens, buscando refletir sobre a masculinidade e sua importância na construção de uma sociedade menos machista. A proposta faz parte da gestão da primeira reitora mulher da instituição, Maysa Furlan, que assumiu o cargo em 2025 e tem como uma de suas prioridades o enfrentamento da violência de gênero e a redução das discriminações no ambiente acadêmico.
Após implementar ações voltadas para fortalecer canais de denúncia e acolhimento a vítimas de violência e preconceito, a reitoria agora aposta na participação ativa dos homens para promover uma maior equidade de gênero dentro da universidade.
O programa, intitulado “Unesp sem Assédio”, será iniciado neste mês em todos os 24 campi da instituição e tem como público-alvo todos os homens que frequentam a universidade. Inicialmente, a participação será facultativa, mas a reitora ressalta a importância do envolvimento.
“Até agora, temos investido em ações para identificar, prevenir e combater o assédio sexual e moral na Unesp. Entretanto, para que possamos criar um ambiente verdadeiramente igualitário, precisamos envolver os homens nesse debate. É necessário um letramento para que eles reflitam sobre a responsabilidade de suas atitudes”, explicou Maysa em entrevista.
Histórico de Denúncias e Desafios Enfrentados
Nos últimos anos, a Unesp lidou com episódios de denúncias de assédio envolvendo professores e alunas, resultando na demissão de pelo menos dois docentes após investigações. A reitora observa que muitos casos se tornaram mais visíveis após o fortalecimento dos mecanismos de denúncia, o que sinalizou uma intolerância à violência na instituição.
“Após deixarmos claro que não toleramos mais o assédio, as denúncias começaram a surgir. Agora, queremos que os homens compreendam a importância de identificar comportamentos machistas e de assédio antes que novas vítimas sejam feitas”, acrescentou a reitora.
O Unesp sem Assédio será desenvolvido em parceria com o Instituto Memoh, uma organização especializada em discussões sobre masculinidades. A metodologia envolve rodas de conversa, nas quais os participantes são incentivados a dialogar sobre suas experiências e reflexões acerca de comportamentos prejudiciais associados à masculinidade.
Envolvimento e Expectativas
A reitora acredita que a abordagem proposta será suficiente para motivar os homens a se engajar. “Acreditamos que, ao entenderem que a desconstrução de certos comportamentos também os beneficia, muitos se sentirão propensos a participar”, comentou Maysa.
No entanto, ela reconhece que aqueles que apresentam comportamentos mais problemáticos podem resistir à participação voluntária, mas confia que esse formato será mais eficiente para promover a reflexão necessária.
“Em nossas investigações, percebemos que os acusados costumam considerar seus comportamentos normais, sem enxergar o problema nas atitudes denunciadas. Por isso, a proposta é instigar uma reflexão crítica sobre suas condutas”, ressaltou.
Em 2024, a Unesp recebeu 19 denúncias de assédio sexual e 18 de assédio moral, enquanto em 2025 o número subiu para 40, divididos igualmente entre os dois tipos. Essa realidade reforça a urgência da proposta.
“Nosso objetivo é engajar os homens nesse debate e torná-los aliados na transformação do cenário atual. Não podemos apenas reagir após uma denúncia; precisamos envolver todos os agentes para que haja uma mudança real e duradoura”, concluiu Maysa Furlan.

