Desenvolvendo Competências Emocionais nas Escolas
A Secretaria de Educação do Distrito Federal (SEEDF) apresentou, na última quinta-feira (19), o inovador programa Saberes Socioemocionais, durante evento realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães. A iniciativa, que começa nos anos iniciais e finais do ensino fundamental, pretende ser expandida progressivamente para incluir o ensino médio e toda a comunidade escolar.
Esse programa visa integrar, de maneira estruturada, o desenvolvimento de habilidades socioemocionais na rotina escolar. A proposta foca em competências essenciais como empatia, responsabilidade, convivência e tomada de decisão, buscando a formação integral dos alunos e a melhoria das relações no ambiente escolar. De acordo com a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), o desenvolvimento dessas habilidades tem um impacto direto no desempenho acadêmico, na saúde mental e na trajetória profissional dos indivíduos ao longo da vida.
A secretária de Educação, Hélvia Paranaguá, ressaltou as dificuldades enfrentadas nas unidades de ensino e a influência disso nas relações interpessoais. “Começo este discurso honrando cada profissional presente. Falar sobre educação hoje é, acima de tudo, falar sobre pessoas e, mais do que nunca, sobre emoções. Estamos vivendo um período desafiador, não apenas no Distrito Federal, mas em todo o mundo. Recentemente, uma coordenadora regional compartilhou comigo a situação angustiante de uma professora que enfrenta agressões diárias de um aluno. Esta é a nossa realidade: dura, cruel e cheia de desafios”, afirmou.
Impacto nas Escolas e Necessidade de Apoio Emocional
As consequências dessa situação já são visíveis no cotidiano das escolas. A orientadora educacional Danielle Valverde, do Centro de Ensino Fundamental (CEF) Dra. Zilda Arns, localizado no Itapoã, comentou: “Estamos lidando com uma crescente demanda de atendimentos, com estudantes que buscam ajuda devido a crises de ansiedade e questões emocionais que, frequentemente, nem conseguem identificar”. Valverde acredita que o programa chega em um momento crucial. “Precisamos iniciar conversas sobre questões socioemocionais de forma organizada dentro das escolas. Mesmo que o processo traga desconforto inicial, é possível superar os sentimentos negativos e alcançar um estado transformador. Um estudante que aprende a lidar com suas emoções tende a não transferir seus conflitos para o ambiente escolar”, concluiu.

