Transformando Vidas Através da Agricultura Urbana
A Emater-DF, por meio do Programa Brasília Verde, está expandindo suas atividades além das áreas rurais, focando em garantir segurança alimentar no Distrito Federal. Em 2025, foram 164 unidades atendidas com insumos, abrangendo 94 escolas e creches, 26 entidades sem fins lucrativos, 11 unidades relacionadas à Secretaria de Justiça e Cidadania (Sejus-DF)—incluindo quatro do sistema penitenciário e sete do sistema socioeducativo—e 33 unidades de saúde e assistência social.
Esse projeto inclui diversas hortas comunitárias, escolares e medicinais que têm promovido segurança alimentar e nutricional a milhares de pessoas no DF. Além disso, o programa investiu em infraestrutura sustentável, com 21 escolas da rede pública recebendo sistemas de captação de água da chuva, incentivando a reutilização dos recursos hídricos e promovendo educação ambiental entre crianças e adolescentes.
Investimentos em Sustentabilidade e Produção
No total, foram investidos R$ 350 mil nas hortas urbanas, somados a R$ 233 mil em projetos de captação de águas pluviais. Adicionalmente, R$ 1,4 milhão foram destinados à aquisição de 714 kits de insumos, entregues ao longo do ano para fortalecer a produção rural.
Rosane Lopes, farmacêutica da Unidade Básica de Saúde (UBS) 2 do Guará, destaca a importância de uma das hortas medicinais que a Emater-DF apoia. “Inauguramos nosso ‘horto’ em fevereiro de 2025, após um curso de horticultura urbana promovido pelo Instituto Arapoti, com suporte da Emater-DF, da Fundação Oswaldo Cruz e da Embrapa”, conta.
Com mais de 80 espécies de plantas em um sistema de agrofloresta, Rosane menciona a diversidade: “Temos abóbora, couve, berinjela, capim-limão, pimenta-de-cheiro, citronela, hortelã… É uma variedade impressionante”, celebra. As colheitas são destinadas à comunidade da UBS, ocorrendo todas as quintas-feiras.
Integrando Comunidade e Saúde
A Secretaria de Saúde (SES-DF) lançou em abril de 2025 a Rede de Hortos Agroflorestais Medicinais Biodinâmicos (Rhamb). Essa estratégia busca fortalecer vínculos e promover a integração entre os pacientes, criando um ambiente mais saudável que favorece o acompanhamento e tratamento na UBS. “É um projeto que vai além da produção de alimentos, é sobre saúde e conexão com a comunidade”, explica Rosane.
Mario Moriani, um dos voluntários da horta, compartilha sua experiência: “Trabalhar aqui me oferece a chance de plantar e cultivar. Isso faz parte do meu projeto de vida. Sinto uma conexão com a terra, e isso alimenta meu lado emocional e espiritual, além de saber que estou contribuindo com alimentos orgânicos para a comunidade”, relata.
Inovação e Inclusão Social
O engenheiro-agrônomo Rogério Lucio Vianna Filho, que gerencia o setor de Agricultura Urbana da Emater-DF, ressalta que o programa Brasília Verde se dedica não apenas a incentivar a produção e o consumo de alimentos de qualidade, mas também a promover tecnologias sustentáveis e acessíveis, como a captação de água da chuva e o aproveitamento de resíduos orgânicos para a produção de bioinsumos e compostagem.
Rogério ainda enfatiza a relevância social do programa, que atende pessoas em condições de vulnerabilidade. “Alimentos de qualidade, especialmente os orgânicos, são menos acessíveis a muitos. Nossa missão é levar segurança alimentar e nutricional, qualidade de vida e bem-estar por meio de uma alimentação segura”, conclui.
Modelo de Sustentabilidade na Educação
Outro destaque do programa é a Escola Classe (EC) da Jibóia, situada em Ceilândia, que foi beneficiada com sistemas de captação de água pluvial, energia fotovoltaica, uma horta pedagógica e uma fossa biodigestora. “O projeto já está implementado e pode servir como exemplo para outras escolas”, informa Tiago Leite, técnico da Emater-DF. A EC da Jibóia atende cerca de 80 estudantes do 1º ao 5º ano do ensino fundamental.
Os recursos que possibilitam a execução do programa Brasília Verde provêm de emendas parlamentares, que garantem a continuidade do trabalho em áreas urbanas e periurbanas do Distrito Federal.

