Reivindicações da Categoria
No dia 18 de outubro, o Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro-DF) promoveu uma assembleia geral, acompanhada de uma paralisação de 24 horas, para discutir um calendário de demandas para 2026. Esse calendário abrange questões essenciais para o fortalecimento dos direitos e conquistas da categoria, como o avanço na reestruturação da carreira e a recomposição do quadro de professores do magistério público.
A diretora do sindicato, Márcia Gilda, enfatizou a importância da mobilização: “Estamos aqui na nossa assembleia, trazendo pautas históricas. A educação não é algo que se conquista de graça, é fruto de muita luta e reivindicação”, afirmou.
Equiparação Salarial e Valorização Profissional
Um dos principais pontos de reivindicação dos professores é a equiparação do salário base dos orientadores educacionais à média dos vencimentos das demais carreiras do serviço público no DF, que possuem escolaridade equivalente. “Estamos aqui para dizer ao governo que, enquanto ele não prioriza a educação, há investimentos em bancos falidos e desvios de verbas. A educação deve ser uma prioridade em qualquer governo eleito para servir ao povo”, declarou a diretora do Sinpro.
Nomeações e Luta por Inclusão
O deputado Gabriel Magno (PT-DF), presidente da Comissão de Educação da Câmara Legislativa, esteve presente na assembleia e reforçou seu apoio à categoria. Magno destacou que o governo de Ibaneis Rocha (MDB-DF) e Celina Leão (PP-DF) tem deixado a educação em um segundo plano. “A educação é tratada como inimiga do governo. É uma categoria crítica, que luta por melhorias não apenas para si, mas para toda a sociedade e a comunidade escolar”, afirmou.
Outro tema em destaque é a nomeação dos aprovados no concurso público de 2022. O Sinpro informou que, embora 3 mil docentes tenham sido convocados, ainda há uma carência expressiva, com 2 mil aprovados esperando nomeação. Gislene Cristiana, professora de Letras-Libras aprovada no concurso, destacou que a paralisação também visa a nomeação dos professores. “A inclusão dos alunos surdos está sendo negligenciada. É fundamental garantir a continuidade pedagógica por meio da nomeação dos professores”, ressaltou.
Condições de Trabalho e Aposentadorias
Gislene também denunciou a precarização do trabalho temporário na educação. Vários professores temporários têm enfrentado atrasos e reduções salariais, resultando em condições difíceis. “Estamos vivendo uma calamidade. Os contratos temporários não oferecem direitos e nem garantias salariais, algo inédito no DF”, mencionou.
A Secretaria de Educação do DF (SEE-DF) se manifestou em relação ao concurso, afirmando que todas as nomeações previstas foram realizadas e que esforços estão sendo feitos para convocar mais aprovados. Em resposta às demandas por aposentadorias, o Sinpro afirmou que busca agilidade nos processos junto ao Instituto de Previdência dos Servidores do Distrito Federal (Iprev), solicitando transparência nas exigências.
Militarização e Lutas Contemporâneas
A mobilização contra a militarização nas escolas foi outro ponto abordado. O Sinpro tem lutado contra a gestão compartilhada implementada pelo Governo do DF desde 2019, que já abrange 25 escolas, com gestão por forças policiais. A diretora Márcia Gilda se posicionou contra essa abordagem, defendendo uma educação que priorize a autonomia dos estudantes. “A educação deve formar para o protagonismo, não para a opressão. Desde 2019, enfrentamos esse modelo, que consideramos uma cortina de fumaça”, afirmou.
Com a assembleia, foi aprovado um calendário de lutas para 2026, utilizando pela primeira vez uma votação eletrônica, um marco histórico segundo a coordenadora de Organização do Sinpro, Solange Buosi. O calendário inclui eventos como a Sessão Solene em Homenagem ao Sinpro e a Marcha da Classe Trabalhadora.
Compromisso com a Sociedade
O presidente da Central Única dos Trabalhadores no DF, Rodrigo Rodrigues, destacou a importância da mobilização em torno de pautas que visam justiça social, como a revisão das escalas de trabalho que afetam especialmente as mulheres. “Este é um ano fundamental para a nossa luta, precisamos nos unir por justiça social”, enfatizou Rodrigues.
Após a assembleia, os professores se dirigiram ao Palácio do Buriti para participar de uma manifestação em defesa do patrimônio público de Brasília, reafirmando seu compromisso com a educação e a luta pelos direitos dos trabalhadores.
