Insegurança e Indignação na Escola
Nos últimos dias, a comunidade escolar do Centro de Ensino Fundamental (CEF) 03 da Cidade Estrutural, no Distrito Federal, tem enfrentado uma onda de insegurança e indignação. A causa? A chegada de Igor Azevedo Bomfim, um professor de 46 anos que possui um passado criminal marcado pela condenação pelo assassinato de sua ex-namorada. Ele se tornou professor na instituição após ser aprovado em um processo seletivo da Secretaria de Educação do DF no início deste ano.
Igor foi acusado de matar Mayara de Souza Lisboa em 2010, em Santa Rita de Cássia (BA), e, embora tenha sido preso em 2024, sua liberdade foi restabelecida logo em seguida. Desde então, ele retornou ao magistério, gerando apreensão entre os colegas de trabalho.
Entenda o Caso que Chocou a Sociedade
O crime cometido por Igor ocorreu em 2 de novembro de 2010, quando ele invadiu a casa de Mayara e a assassinou a tiros. Na época, Igor tinha 31 anos, e a vítima, 22. O relacionamento deles, que durou 1 ano e 8 meses, foi marcado por ciúmes excessivos e atos de violência, conforme relatado no inquérito policial. Igor costumava monitorar os passos de Mayara e havia episódios de agressão que culminaram na tragédia.
Após o crime, Igor se apresentou à polícia e confessou, alegando que agiu em ‘defesa da honra’. A absolvição que recebeu em 2013 pelo Tribunal do Júri foi contestada, e em 2019, ele foi condenado a 10 anos e 10 meses de prisão. Entretanto, ele permaneceu livre até ser preso de novo em 2024, quando o caso tornou-se transitado em julgado. A decisão, no entanto, foi posteriormente anulada pelo Supremo Tribunal Federal, e Igor voltou a ser libertado.
Ambiente Escolar Tenso
Uma professora do CEF 03 expressou seu medo de ter que compartilhar o ambiente escolar com um criminoso confesso. “Estou apavorada com a possibilidade de conviver com ele e de tratar de assuntos sensíveis”, relatou, pedindo para não ter seu nome revelado. O sentimento de vulnerabilidade é compartilhado por muitas colegas, pois há um grande número de mulheres entre o corpo docente.
O desconforto começou quando uma colega reconheceu Igor na escola. “Ninguém foi avisado sobre o passado dele. A informação se espalhou entre nós rapidamente”, conta a professora, que está angustiada com a situação. O CEF 03 programou uma Semana Escolar de Combate ao Machismo e Violência Contra a Mulher, e a docente teme como o professor reagirá a um evento que toca em questões tão delicadas.
Críticas à Contratação de Profissionais
Em meio a essa situação preocupante, a professora critica a falta de critérios mais rigorosos na contratação de profissionais para a rede pública de ensino. “É inaceitável que a Secretaria de Educação não tenha levado em consideração o histórico desse profissional. A segurança de todos está em jogo”, argumenta, referindo-se ao risco que crianças, adolescentes e colegas de trabalho correm ao terem Igor na mesma instituição.
Posicionamento da Secretaria de Educação
A Secretaria de Educação do Distrito Federal afirmou que está tratando o caso com discrição e que a Corregedoria está tomando as devidas providências. No entanto, não esclareceu se tinha conhecimento do processo judicial de Igor no momento de sua contratação.
Nota da Defesa
A defesa de Igor Azevedo Bomfim se manifestou em nota, ressaltando que aguarda uma decisão do Superior Tribunal de Justiça sobre o caso. Também enfatizou que, de acordo com a Constituição Federal, qualquer pessoa é considerada inocente até que haja um julgamento final.

