Cenário Favorável para o Trigo no Brasil
No Brasil, o mercado de trigo demonstra um desempenho misto, especialmente entre as regiões. No Sul do país, os preços permanecem robustos, impulsionados por uma oferta limitada e uma demanda aquecida. A análise da TF Agroeconômica revela que os compradores estão mais propensos a oferecer valores superiores, enquanto os vendedores resistem a baixar os preços devido à escassez do cereal. Essa situação é reforçada pela menor disponibilidade de trigo importado, que colabora para a valorização do produto interno.
Movimentação no Rio Grande do Sul
O estado do Rio Grande do Sul apresenta uma dinâmica intensa nas negociações do trigo. Os compradores estão dispostos a pagar entre R$ 1.200 e R$ 1.250 por tonelada no interior, dependendo da qualidade e localização do produto. Por outro lado, os vendedores estipulam preços que vão de R$ 1.250 a R$ 1.350 por tonelada, evidenciando a pressão causada pela recente ausência de trigo argentino no mercado. Entretanto, há expectativas positivas com a chegada de um carregamento de trigo uruguaio em Porto Alegre, o que poderá influenciar as cotações.
No mercado voltado para o produtor, os preços atingiram R$ 57,00 por saca em Panambi, demonstrando um leve aumento no valor pago pelo cereal.
Santa Catarina e Paraná: Um Mercado em Ajuste
Em Santa Catarina, o abastecimento está fortemente atrelado ao trigo gaúcho, com preços girando em torno de R$ 1.200 por tonelada, além de frete e ICMS. O trigo local, embora com menor disponibilidade, é comercializado por aproximadamente R$ 1.300 CIF. Os valores pagos aos produtores variam entre R$ 59,00 e R$ 67,00 por saca, com destaque para um aumento em Xanxerê, enquanto outras regiões mantêm estabilidade.
No Paraná, a movimentação no mercado é menos intensa, mas com valores em alta. No norte do estado, os preços vão de R$ 1.350 a R$ 1.400 por tonelada, com algumas negociações chegando a R$ 1.380 CIF. Nos Campos Gerais, os valores estão próximos de R$ 1.300. A menor atividade comercial é atribuída ao foco dos produtores na colheita de soja e milho. Além disso, a previsão de uma redução de 6% na área plantada e de 12% na produção em 2026 reforça a expectativa de preços sustentados.
No mercado externo, a ausência de trigo argentino é notável, com a presença de produto paraguaio negociado entre US$ 260 e US$ 262 posto Ponta Grossa.
Queda em Chicago Após Novos Dados
No exterior, o mercado internacional de trigo iniciou o dia com cotações em queda na Chicago Board of Trade. Os principais contratos apresentaram um recuo significativo:
- Maio/2026: US$ 6,05 por bushel, queda de 1,83%
- Julho/2026: US$ 6,16/bu, em baixa
- Setembro/2026: US$ 6,28/bu, também em queda
Esse movimento é reflexo de ajustes técnicos após os recentes ganhos no mercado, com investidores reposicionando suas carteiras diante de novas informações sobre a área plantada nos Estados Unidos.
Dados do USDA Revelam Redução na Área Plantada
Conforme o relatório do USDA, a área destinada ao cultivo de trigo nos Estados Unidos apresentou uma queda. A área de trigo de inverno foi projetada em 32,41 milhões de acres, inferior tanto ao relatório anterior quanto ao valor do ano passado. A área total estimada para 2026 é a menor desde o início da série histórica, indicando um possível aperto na oferta futura, que pode ter sustentado os preços no fechamento anterior.
Perspectivas do Mercado Global
Embora o suporte fundamental proveniente da diminuição da área plantada sugira uma possível valorização, o mercado internacional continua a vivenciar volatilidade no curto prazo, com oscilações ocasionais. As condições climáticas nos Estados Unidos também são um fator importante a ser monitorado, pois podem afetar diretamente o desenvolvimento das lavouras e a oferta global de trigo.
Conclusão
O cenário atual do mercado de trigo no Brasil é influenciado por uma combinação de fatores que garantem a manutenção dos preços, como a oferta restrita e a demanda ativa. No entanto, no cenário internacional, os investidores permanecem atentos às oscilações técnicas e às condições de oferta, especialmente à luz da redução da área plantada nos Estados Unidos e dos riscos climáticos que podem impactar o setor ao longo de 2026.
