Escassez de qualidade sustenta alta no mercado brasileiro

O setor do trigo no Brasil apresenta uma dinâmica diferenciada nesta quarta-feira, refletindo um cenário de recuperação impulsionado pela escassez de produtos de qualidade. No Sul do país, especialmente no Rio Grande do Sul, os preços estão em ascensão, com moinhos oferecendo entre R$ 1.250 e R$ 1.300 por tonelada CIF, variando conforme o prazo de entrega. As projeções para o mês de maio indicam um aumento ainda maior nos valores, em virtude da limitação na disponibilidade de trigo de qualidade, agravada por problemas na safra argentina.

A cotação ao produtor também apresentou alta, com preços chegando a cerca de R$ 57,00 por saca em algumas regiões. A expectativa é de que esses níveis não voltem a recuar em um futuro próximo, refletindo uma pressão positiva no mercado.

Santa Catarina e Paraná: Ajustes Regionais Acompanham Tendência

Em Santa Catarina, as negociações de trigo estão sendo bastante influenciadas pela oferta do Estado vizinho, o Rio Grande do Sul. Os preços estão na faixa de R$ 1.120 por tonelada, acrescidos de um frete médio de R$ 196, totalizando aproximadamente R$ 1.315 CIF. Contudo, ofertas locais também chegam a cerca de R$ 1.300 CIF. O aumento nos custos logísticos resultou em reajustes médios de 3% nos preços das farinhas, um movimento que o mercado tem absorvido. A disponibilidade de trigo branqueador permanece escassa, e alguns lotes disponíveis não estão atendendo aos padrões de qualidade exigidos para a panificação, com preços ao produtor variando entre R$ 59,00 e R$ 65,00 por saca.

No Paraná, as negociações estão firmes, mas com um ritmo mais lento. As ofertas no norte do estado variam entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, e os negócios têm ocorrido entre R$ 1.370 e R$ 1.380 CIF. Nos Campos Gerais, os preços estão em torno de R$ 1.300 CIF. Essa diminuição na movimentação está relacionada ao avanço da colheita da soja e do milho, que tem reduzido a participação dos produtores no mercado de trigo. No setor de trigo importado, a procura por produtos de qualidade tem mantido o mercado aquecido, com trigo argentino com mais de 12% de proteína sendo negociado a cerca de US$ 295 por tonelada, enquanto o produto paraguaio gira em torno de US$ 260 CIF.

Queda nas Cotações de Chicago e Pressões Climáticas

No cenário internacional, os contratos futuros de trigo na Chicago Board of Trade (CBOT) iniciaram o dia com quedas significativas. O contrato para maio de 2026 foi negociado a US$ 5,86 por bushel, registrando uma queda de 32 pontos, equivalente a -0,55%. Outros vencimentos também apresentaram perdas, como julho de 2026, a US$ 5,98 por bushel (queda de 40 pontos) e setembro de 2026, a US$ 6,11 por bushel (baixa de 44 pontos). Este movimento é reflexo de ajustes técnicos por parte dos investidores após as altas registradas na sessão anterior.

Fatores Climáticos e Exportações em Foco

O mercado internacional observa atentamente as previsões climáticas, que indicam condições mais secas em algumas regiões das Planícies dos Estados Unidos, desfavoráveis ao cultivo de trigo de inverno. Por outro lado, áreas do cinturão produtor de trigo soft red winter podem experimentar um aumento na umidade, o que traz incertezas adicionais para a produção.

Além do clima, o monitoramento das exportações globais e a evolução da demanda internacional continuam a ser fatores cruciais na formação de preços. A expectativa é de que a volatilidade permaneça, refletindo um cenário desafiador tanto para os produtores brasileiros quanto para o mercado internacional.

Share.
Exit mobile version