Análise detalhada da população rural do DF

Realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do Distrito Federal (IPEDF), a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios Ampliada (Pdad-A) apresenta um panorama abrangente da população que reside na área rural do Distrito Federal. Segundo o levantamento, a população rural é composta por aproximadamente 121.759 indivíduos, dentre os quais 51,9% são do sexo masculino e 48,1% do sexo feminino, com uma média de idade registrada em 32,6 anos. A pesquisa também identificou 49.549 domicílios na região, resultando em uma média de 2,46 moradores por casa.

O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Clementino, ressalta que esta abordagem ampliada é crucial para entender melhor as nuances do território. “Os resultados contribuirão de forma significativa para que os órgãos do GDF desenvolvam políticas públicas mais eficazes voltadas para a população rural”, afirma.

Perfil Demográfico e Socioeconômico

Com relação à cor/raça declarada, os pardos lideram com 57% das respostas, seguidos pelos brancos (29,1%) e pretos (11,6%). Em termos de religião, a maioria dos residentes se declara católica, somando 48,5% do total. Entre os habitantes com 14 anos ou mais, 50,5% são casados, enquanto 43% se identificam como solteiros, o que aponta para características relevantes do perfil social da comunidade rural.

Os dados indicam que 53% dos habitantes da área rural nasceram no DF. Entre os que migraram, 60,8% vieram da Região Nordeste, com destaque para os estados da Bahia e Maranhão. Em relação à conectividade, 84,2% dos entrevistados relataram acesso à internet, e 77% possuem celular, demonstrando um avanço na inclusão digital no campo.

Educação e Mercado de Trabalho

Quando analisamos a escolaridade da população rural com 25 anos ou mais, 66,3% completaram apenas o ensino médio, enquanto apenas 16,5% alcançaram o ensino superior. Isso levanta questões sobre as oportunidades educacionais disponíveis na área. Entre aqueles com 14 anos ou mais, 91,2% estão empregados, com 43,7% atuando no setor rural e 53,4% no setor privado. Dos trabalhadores assalariados, 69,2% têm carteira de trabalho assinada e 63,2% contribuem com o INSS, o que mostra um índice de formalização considerável.

A renda média dos habitantes que trabalham na área rural é de R$ 2.654,70, e 26,7% dos ocupados são autônomos. No grupo de empreendedores, 41,4% possuem CNPJ, e 30,6% se enquadram na categoria de Microempreendedor Individual (MEI).

Acesso à Saúde e Moradia

Sobre a saúde, 52,5% dos moradores buscaram atendimento médico nos últimos meses, sendo que 87,6% realizaram consultas, das quais 67,1% ocorreram em serviços públicos. Destas, 39,2% foram em unidades de saúde localizadas na área rural, o que evidencia a necessidade de suporte adequado em saúde nesta região.

Os dados sobre habitação mostram que a maioria dos domicílios rurais, totalizando 49.549, possui uma média de 2,46 moradores. A forma de moradia predominante é a casa própria, com 58,4% das residências sendo deste tipo, das quais 29,9% têm escritura definitiva. Além disso, 12,9% das moradias são cedidas por empregadores. Curiosamente, três em cada quatro lares na zona rural têm animais de estimação, sendo cães (70,7%) e gatos (20,2%) os mais comuns.

Condições de Vida e Renda Domiciliar

Em termos de serviços, 35,1% dos domicílios rurais têm assinatura de serviços de streaming, enquanto 18% possuem TV por assinatura. Aproximadamente 80% dos lares recebem uma renda mensal de até dois salários mínimos. A renda média domiciliar é de R$ 2.954,70, com renda per capita em R$ 1.708,50, que refletem a realidade econômica enfrentada pelos moradores.

“Esses dados sobre as condições de vida dos moradores rurais são fundamentais para que as autoridades públicas planejem ações efetivas que atendam às necessidades da população”, destaca Francisca Lucena, diretora do IPEDF.

Importância dos Dados para Políticas Públicas

Rafael Bueno, secretário de Agricultura, Abastecimento e Desenvolvimento Rural, enfatiza que a pesquisa é um marco para o planejamento e fomento ao desenvolvimento rural. “Os resultados vão além de meros números populacionais e oferecem uma visão clara das condições de moradia, trabalho e acesso a serviços, informações que devem guiar a formulação de políticas públicas mais efetivas”, argumenta.

Cleison Duval, presidente da Emater-DF, complementa essa visão ao afirmar que “dados confiáveis e atualizados são cruciais para garantir que as políticas públicas atendam às reais necessidades da população rural”.

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