Iniciativa Inovadora para Combater o Desaparecimento de Pessoas
Na última quinta-feira (19), o Governo do Distrito Federal (DF) lançou um novo e ousado plano para enfrentar o problema do desaparecimento de pessoas. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) apresentou o Plano de Ação Integrado de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas, que pela primeira vez formaliza um fluxo interinstitucional de ações entre diversos órgãos envolvidos na busca e no acolhimento das famílias afetadas.
A proposta traça um roteiro detalhado que orienta as instituições desde o registro do desaparecimento até as etapas de busca, articulação entre diferentes áreas, atendimento às famílias e, claro, a localização dos desaparecidos. Esta iniciativa é fruto de um trabalho iniciado em 2023 com a criação da Rede Integrada de Atenção Humanizada ao Desaparecimento de Pessoas (Ridesap), que é coordenada pela Subsecretaria de Integração de Políticas Públicas de Segurança (Subisp).
Uma Política de Estado para Respostas Rápidas
Durante a cerimônia de lançamento, o secretário de Segurança Pública, Sandro Avelar, enfatizou que o novo plano representa uma política de Estado. “Estamos institucionalizando uma resposta à altura da gravidade do desaparecimento. Isso requer uma abordagem imediata, integrada e técnica. Superamos obstáculos e estabelecemos uma engrenagem única entre os órgãos envolvidos”, destacou.
De acordo com Avelar, embora as instituições já trabalhassem em casos de desaparecimento, a falta de um protocolo unificado levava a ações individualizadas. “Havia um grande esforço de várias áreas, cada uma com seus próprios procedimentos. Agora, temos uma coordenação eficaz. Desde o registro do desaparecimento, temos um sistema que elimina barreiras institucionais, garantindo uma comunicação ágil e uma integração real entre segurança pública, saúde, assistência social e outras áreas”, explicou.
Taxas de Localização Impressionantes
O secretário também ressaltou que o Distrito Federal se destaca nacionalmente pela sua taxa de localização de desaparecidos, que varia entre 98% e 99% nos últimos levantamentos. Até o dia 19 de 2025, foram registrados 2.293 casos de desaparecimento na região, dos quais 2.211 foram localizados, restando 82 ainda desaparecidos e resultando em uma taxa de resolução próxima a 96%. “Nosso compromisso é localizar todas as pessoas desaparecidas o mais rápido possível”, afirmou.
Avelar ainda destacou que o plano não apenas busca resolver os casos já existentes, mas também visa reduzir o tempo de busca e aumentar a taxa de localização de maneira contínua.
Fluxo Imediato e Uso de Tecnologia Avançada
Alexandre Patury, secretário-executivo de Segurança Pública, afirmou que no DF não há a obrigação de esperar 24 horas para registrar o desaparecimento. “Aqui, essa ideia está superada. Um registro feito na Polícia Civil aciona, em questão de minutos, um sistema de resposta integrado, que inclui divulgação, mobilização de forças e acionamento da rede de apoio, além do suporte de câmeras com reconhecimento facial”, explicou.
A inquietação sobre os casos que ainda não foram solucionados foi um dos fatores que motivaram a criação do plano. “Sempre nos perguntamos: como responder àquele 1% que ainda está desaparecido? Isso é uma tragédia em vida. Por isso, estruturamos esse plano, organizado como uma única rede, com a prioridade de localizar as pessoas e oferecer uma resposta humanizada às famílias”, ressaltou Patury.
Responsabilidades e Colaboração entre Instituições
O plano foi elaborado ao longo de mais de um ano de reuniões bilaterais, oficinas técnicas e ajustes operacionais. O diagnóstico inicial identificou entraves administrativos e dificuldades na comunicação entre os diversos órgãos.
Diversas instituições participaram da construção do plano, incluindo a Polícia Civil (PCDF), a Polícia Militar (PMDF), o Corpo de Bombeiros Militar (CBMDF), o Detran-DF, a Secretaria de Saúde (SES-DF), entre outras. Jasiel Fernandes, titular da Subisp, explicou que a mudança representa uma governança integrada, onde as ações não são mais fragmentadas. “Estamos estabelecendo protocolos claros e uma comunicação mais ágil, colocando a pessoa desaparecida e sua família no centro da política pública”, afirmou.
O delegado-geral da PCDF, José Werick, destacou a sensibilidade com que cada registro é tratado, enfatizando a importância da acolhida humanizada e do rigor técnico na coleta de informações. “Este plano integra instituições e alinha os fluxos de trabalho”, afirmou.
A promotora de Justiça Polyanna Silvares, do MPDFT, ressaltou o caráter colaborativo da iniciativa e como ela foi construída sem a necessidade de judicialização, evidenciando a atuação proativa entre os órgãos envolvidos. “Estamos juntos em um compromisso de avançar constantemente na busca por um atendimento de excelência às famílias e na meta de alcançar um desaparecimento zero no DF”, concluiu.
Atenção Humanizada e Campanhas de Prevenção
O eixo central do plano também aborda a atenção humanizada, visando garantir que as famílias recebam informações claras e transparentes desde o primeiro contato. Além disso, o plano propõe encaminhamentos para apoio psicossocial quando necessário, bem como a capacitação contínua dos profissionais envolvidos. Campanhas educativas sobre prevenção ao desaparecimento e a divulgação de canais para registro imediato também estão previstas, incluindo parcerias com escolas e instituições comunitárias.
