Aumento alarmante de incidentes em elevadores
O número de pessoas presas em elevadores no Distrito Federal aumentou em 2025, totalizando 1.090 casos, o que representa um crescimento de 23% em relação aos 884 registros de 2024. Essa estatística preocupante levanta questões sobre a segurança e manutenção desses equipamentos essenciais.
O engenheiro especializado em elevadores, Rodrigo Romero, em entrevista à TV Globo, apontou que os principais fatores que contribuem para esses incidentes são o excesso de peso, a falta de manutenção preventiva e corretiva, além das oscilações de energia. Segundo ele, “a grande maioria pensa ‘ah, mais um aqui, ele vai levar, ele vai transportar’. Na verdade, o excesso de peso é um dos maiores fatores hoje que prendem passageiro dentro do elevador”.
Ainda de acordo com Romero, além da sobrecarga, a manutenção inadequada ou irregular dos elevadores é um fator recorrente nos resgates realizados pelos bombeiros. Em diversas ocorrências, o socorro é acionado após falhas nos sistemas de comunicação, como interfones que não funcionam adequadamente.
Recentemente, bombeiros do DF realizaram intervenções para socorrer pessoas que ficaram presas em elevadores, incluindo um caso no condomínio Fusion Work e Live, na Asa Norte, que resultou em uma ação judicial.
Justiça condena condomínio por danos morais
A Justiça do Distrito Federal decidiu que o condomínio Fusion Work e Live deve indenizar em R$ 3 mil duas mulheres que ficaram retidas em um elevador sem ventilação, água ou comunicação adequada por cerca de uma hora e meia. Carolina de Melo Nogueira e Gilda Lucia de Melo Nogueira ficaram em condições precárias durante esse período, o que gerou sofrimento psicológico.
O Fusion Work e Live alegou que não houve culpa específica pela situação e pediu a redução do valor da indenização, solicitação que foi negada pela Justiça. A decisão em segunda instância ressaltou que o elevador é um bem comum e a responsabilidade pela manutenção é do condomínio. A corte também enfatizou que experiências desse tipo não são meros transtornos, mas podem causar aflições intensas, especialmente em situações de espera prolongada pelo socorro. Na sentença, a corte afirmou: “Resta nítida a violação à integridade psíquica das recorridas, que ficaram por uma hora e trinta minutos presas no elevador aguardando a chegada do técnico, sentadas no chão, sem ventilação e sem água, conforme consta em fotos juntadas na inicial”.
Quando acionar o Corpo de Bombeiros?
De acordo com o Corpo de Bombeiros do DF, embora os elevadores sejam considerados um dos meios de transporte mais seguros, eles não estão isentos de riscos. A corporação recomenda que o acionamento dos bombeiros não seja feito em todas as situações de pessoas presas, mas sim quando a pessoa retida possui condições clínicas especiais, como pânico, fobias ou problemas respiratórios.
Para aqueles que eventualmente se encontrarem presos em elevadores, os bombeiros sugerem algumas dicas úteis:
- Tente manter a calma.
- Utilize técnicas de respiração: inspire por 5 segundos e solte por 5 segundos.
- Não force a porta, nem tente sair sozinho.
- Procure fazer contato com alguém do lado de fora do elevador, seja pela porta ou pelo sistema de comunicação (interfone).
É fundamental estar ciente dessas orientações para garantir a segurança e o bem-estar enquanto se aguarda o socorro. O aumento no número de incidentes só reforça a importância da manutenção regular e da conscientização sobre o uso adequado dos elevadores.
