Ação das Autoridades Federais
Em uma nova fase da Operação Sem Desconto, a Polícia Federal (PF) e a Controladoria-Geral da União (CGU) realizaram uma série de ações, conforme divulgado em nota oficial. A operação abrange a execução de 19 mandados de busca e apreensão e dois mandados de prisão em locais estratégicos, incluindo o Ceará e o Distrito Federal. As ordens judiciais foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), sob a relatoria do ministro André Mendonça.
A finalidade desses mandados é aprofundar as investigações relacionadas a crimes como a inserção de dados falsos em sistemas oficiais, a formação de organização criminosa, estelionato previdenciário e atos de ocultação e dilapidação patrimonial. Essa nova etapa visa não apenas desmantelar as práticas fraudulentas, mas também garantir a responsabilização dos envolvidos.
Alvos da Investigação
Entre os alvos das ações, destaca-se a deputada federal Maria Gorete Pereira, do MDB-CE, que passará a utilizar tornozeleira eletrônica após a ação da polícia, enquanto seus endereços foram minuciosamente revistos. Além dela, foram emitidos mandados de prisão para a advogada Cecilia Rodrigues Mota, ex-presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas Nacional (Aapen) e da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil (AAPB), e para o empresário Natjo de Lima Pinheiro, que, segundo as investigações, recebia repasses de empresas ligadas à advogada.
Contexto da Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto foi iniciada em abril de 2025, após a PF e a CGU identificarem graves irregularidades nos descontos de mensalidades associativas sobre benefícios previdenciários, especialmente aposentadorias e pensões concedidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Essas irregularidades são alarmantes e levantam preocupações sobre a segurança e integridade do sistema previdenciário brasileiro.
Estimativas indicam que as entidades investigadas possam ter descontado cerca de R$ 6,3 bilhões de aposentados e pensionistas entre os anos de 2019 e 2024. A magnitude das fraudes gerou a necessidade de intervenção, levando ao afastamento de pelo menos seis servidores públicos de suas funções durante o processo investigativo. A operação contou com a mobilização de aproximadamente 700 policiais federais e 80 servidores da CGU, que cumpriram mais de 200 mandados judiciais de busca e apreensão, além de ordens de sequestro de bens avaliados em mais de R$ 1 bilhão e seis mandados de prisão temporária em diversos estados.

