Investigação Aprofunda Relação Entre BRB e Banco Master
A Polícia Federal (PF) inicia nesta segunda-feira, dia 26, a coleta de depoimentos de oito investigados na Operação Compliance Zero, que investiga possíveis irregularidades na tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). As oitivas, que ocorrem tanto por videoconferência quanto na sede do Supremo Tribunal Federal (STF), têm horário definido das 8h às 16h e se estendem até terça-feira.
Entre os depoentes, encontram-se diretores do Banco Master e do BRB, além de empresários e ex-executivos de empresas do setor financeiro. A investigação se concentra em um esquema envolvendo R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito fraudulentas vendidas ao BRB, além de uma rede de fundos e ativos inflacionados que visavam aumentar o patrimônio da instituição.
O processo investigativo foi encaminhado ao STF em dezembro, quando o ministro Dias Toffoli decidiu que a matéria deveria ser analisada pela Corte. De acordo com os dados apurados, o Banco Master teria emitido obrigações financeiras de baixo valor, prometendo rendimentos de até 40% acima da taxa básica de referência do mercado, o que levantou suspeitas sobre a solidez das operações realizadas.
Em consequência do prejuízo financeiro, o BRB se vê obrigado a apresentar ao Banco Central uma estratégia viável para sanar as perdas resultantes das transações com o Banco Master. Fontes internas revelam que a instituição está considerando pelo menos três possibilidades: a criação de um Fundo de Investimento Imobiliário que inclua imóveis pertencentes ao Governo do Distrito Federal; a obtenção de um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos; ou um aporte financeiro dos acionistas majoritários do BRB.
É importante ressaltar que, se a alternativa escolhida for o aporte, os recursos deverão proceder do caixa do governo local, que possui mais de 70% do capital do banco. O valor do aporte deve ultrapassar a casa dos R$ 3 bilhões, e, para que qualquer medida de socorro seja efetivada, será necessária a aprovação na Câmara Legislativa do Distrito Federal.
O prazo estabelecido para que o Banco de Brasília apresente uma solução para a questão se encerra no final de março, momento em que o balanço financeiro de 2025 deve estar concluído. O cenário é tenso, pois a instituição precisa restabelecer a confiança tanto dos clientes quanto do mercado diante das irregularidades apontadas na operação.

