Campanha Visa Conscientização e Segurança nas Partidas Juvenis
No dia 10 de março de 2026, o futebol do Distrito Federal deu um passo significativo em direção à segurança nas arquibancadas. A Federação de Futebol do DF (FFDF) lançou o projeto intitulado “Na Base da Paz”, com o objetivo de conscientizar clubes sobre o aumento da violência verbal durante as partidas juvenis. O evento contou com a presença de Edmílson, campeão mundial em 2002 e diretor de projetos especiais da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), além de representantes da CBF Academy.
A iniciativa implementa o Protocolo de Ação contra a Violência Verbal, que busca eliminar os insultos nas arquibancadas. O plano tem como foco não apenas os torcedores, mas também árbitros, equipes, jogadores e comissões técnicas, promovendo uma reflexão sobre o aumento de comportamentos agressivos e a necessidade de combatê-los. Atualmente, a FFDF organiza competições nas categorias de formação Sub-11, Sub-13, Sub-15, Sub-17 e Sub-20, além de torneios femininos nas categorias Sub-15 e Sub-17.
Detalhes do Protocolo de Ação
A cerimônia de lançamento ocorreu no auditório do Departamento de Estradas e Rodagens do DF (DER/DF) e reuniu presidentes de clubes de base, árbitros, representantes do Ministério Público do DF, da Secretaria de Esporte e Lazer (SEL-DF), da Secretaria de Segurança Pública (SSP-DF) e da CBF Academy/IDP. O objetivo foi apresentar o planejamento que precederá as partidas nos estádios de futebol.
O protocolo funcionará da seguinte maneira: caso o árbitro perceba comportamentos de violência verbal, a partida será interrompida. O delegado do jogo será informado e, então, ele se comunicará com a comissão técnica dos clubes, advertindo o infrator para que cesse as ofensas. Se a violência persistir, o jogo será temporariamente paralisado e os times poderão ser convidados a se retirar para os vestiários. A partida poderá até ser suspensa se não for possível identificar ou expulsar os responsáveis pelas agressões.
Importância da Campanha e Exemplos Inspiradores
Durante o evento, foram realizadas palestras que abordaram a relevância do projeto, que, num primeiro momento, será aplicado nas categorias de base do DF, com planos de expansão para competições profissionais no futuro. Um dos pontos mais discutidos foi a importância de chamar a atenção, especialmente dos pais que assistem aos jogos de crianças, para a violência verbal que pode ser prejudicial para os jovens atletas. Um exemplo mencionado foi a campanha da Federação Paulista de Futebol, que bania familiares das partidas sub-11 e sub-12.
Depoimentos de Especialistas e Atletas
Edmílson, que fez parte da Seleção Brasileira na Copa de 2002, destacou a importância do engajamento na luta contra a violência. “Acho que um caso específico serviu de alerta. A federação atuou rapidamente para buscar soluções que evitassem punições severas, como as adotadas pela Federação Paulista, que fechou os estádios para essas categorias”, comentou.
Ele ainda acrescentou: “Quando você consegue identificar uma situação que pode levar a um caos, faz total sentido agir. O presidente Daniel Vasconcelos acertou ao criar esse protocolo. São três regras básicas que requerem consciência não apenas da federação, mas de todos os envolvidos nas partidas de futebol.”
João Paulo Ruspiguel, diretor de competições da FFDF, também se pronunciou sobre a iniciativa. “Na arquibancada, não estamos apenas torcendo. Estamos ensinando. As crianças estão em formação, tanto como atletas quanto como pessoas. O ambiente ao redor delas é crucial. Se a arquibancada se transforma em um espaço de cobrança e tensão, isso pode gerar medo nas crianças. Medo não forma atletas, mas sim limitações. O nosso objetivo não é uma ‘torcida silenciosa’, mas uma torcida responsável que incentive o respeito e o aprendizado”, finalizou.
