Articulação Política para Derrubar Veto
Aliados dos presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), afirmam que a liderança do Congresso já iniciou articulações para derrubar o veto que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deverá impor ao projeto da dosimetria. Essa proposta, aprovada pelo Legislativo no final de 2025, visa beneficiar pessoas condenadas por ataques golpistas.
Caso Lula formalize o veto, Motta e Alcolumbre garantem que têm o número necessário de votos para reverter a decisão em uma sessão do Congresso. Contudo, ambos os parlamentares decidiram não participar do ato promovido pelo governo, que visa lembrar os três anos dos ataques antidemocráticos, agendado para esta quinta-feira.
Há expectativa de que o presidente utilize esse evento para oficializar o veto, o que intensificaria as tensões com o Legislativo, especialmente na Câmara, onde a proposta teve um amplo respaldo. De acordo com parlamentares, a discussão sobre a dosimetria acabou por contaminar o clima político relacionado ao 8 de Janeiro, transformando esse evento em um novo desafio para a relação entre o Executivo e o Congresso no início de 2026.
A Cultura do Conflito e a Necessidade de Cautela
A ausência simultânea dos presidentes da Câmara e do Senado é vista como uma estratégia de prudência institucional. Essa postura não se alinha claramente ao gesto simbólico do governo, mas também evita um confronto direto. Para o presidente do PP, senador Ciro Nogueira (PI), um dos parlamentares mais próximos de Motta, a contagem de votos é favorável à derrubada do veto, que ele considera um “desrespeito ao legislativo”.
“A dosimetria foi aprovada no Congresso com mais de 300 votos, e o veto será facilmente derrubado. Lula está utilizando isso (o veto) como uma bandeira política e simbólica, muito mais do que uma decisão prática, pensando que pode se manter no poder. Não faria sentido Hugo e Alcolumbre comparecerem a um evento que pode consagrar esse veto, o qual desrespeita o Parlamento. Isso já diz muito sobre a intenção do Congresso em relação ao veto, caso ele se concretize”, declarou Nogueira.
Na Câmara, a proposta da dosimetria recebeu 291 votos a favor e 148 contra, enquanto no Senado o resultado foi de 48 a 25. Para que um veto presidencial seja derrubado, são necessários pelo menos 257 votos de deputados e 41 de senadores. Notavelmente, os presidentes da Câmara e do Senado já estavam se ausentando de eventos de memória e repúdio relativos à invasão dos Três Poderes nos últimos anos, indicando um distanciamento da agenda do governo.

