Circunstâncias das Mortes no Hospital Anchieta
A Polícia Civil do Distrito Federal está à frente da investigação sobre a morte de três pacientes na UTI do Hospital Anchieta, localizado em Taguatinga. Os falecimentos ocorreram entre novembro e dezembro de 2025, resultando na prisão de três técnicos de enfermagem sob a suspeita de homicídio. As vítimas foram identificadas como João Clemente Pereira, de 63 anos; Miranilde Pereira da Silva, de 75; e Marcos Raymundo Fernandes Moreira, de 33 anos.
Conforme as apurações, os óbitos foram registrados em um curto intervalo de duas semanas. O Hospital Anchieta tomou a iniciativa de instaurar uma investigação interna ao notar anomalias nos falecimentos. Com base nos resultados, a instituição solicitou o início de um inquérito policial.
Quem eram as Vítimas?
As vítimas apresentavam perfis distintos. Miranilde, uma professora de 75 anos, dedicou sua carreira à educação pública do DF, lecionando na Regional de Ensino de Ceilândia. Em uma nota, o Sindicato dos Professores ressaltou seu legado de aprendizado e cidadania. Já João, 63, era servidor da Caesb, atuando como supervisor de manutenção. Por fim, Marcos, apenas 33 anos, trabalhava como carteiro e era descrito por amigos como alguém alegre e prestativo.
Suspeitos da Operação
Os técnicos de enfermagem detidos são Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, Amanda Rodrigues de Sousa e Marcela Camilly Alves da Silva. Marcos Vinícius é acusado de administer doses letais de medicamentos a pacientes internados, potencialmente com a intenção de assassiná-los. Após um incidente em que sua ação não obteve sucesso, ele teria utilizado desinfetante para injetar em uma das vítimas.
As investigações também contemplam Marcela e Amanda, suspeitas de negligência e possível coautoria nas ações criminosas. Embora Amanda não trabalhasse diretamente na UTI, era amiga próxima de Marcos, enquanto Marcela, nova na equipe, recebia orientações dele. A Polícia Civil continua a apurar detalhes, incluindo a análise de um celular de uma das envolvidas, que pode revelar motivações por trás das ações.
Um Resumo das Ações Criminosas
As mortes ocorreram em 17 de novembro e 1º de dezembro. Após as ocorrências, o hospital notou um agravamento repentino no estado de alguns pacientes, resultando na criação de um comitê interno de análise. Em 11 de janeiro, a Polícia Civil lançou a Operação Anúbis, levando à prisão de duas pessoas e ao cumprimento de mandados em localidades de Taguatinga, Brazlândia e Águas Lindas (GO).
Na sequência da operação, a terceira suspeita foi detida e dispositivos eletrônicos foram apreendidos. Em uma entrevista, o delegado Maurício Iacozzilli detalhou que Marcos Vinícius manipulava o sistema de prescrição hospitalar, alterando dosagens e substâncias para aplicar medicamentos letais, enquanto suas colegas mantinham vigilância na porta para evitar a entrada de outros funcionários.
Encobrindo os Crimes
Para ocultar suas ações, Marcos aguardava a reação das vítimas, que frequentemente resultavam em paradas cardíacas. Se outros funcionários se aproximassem, ele simulava tentativas de reanimação, realizando manobras de massagem cardíaca. Os três técnicos de enfermagem foram demitidos e estão respondendo por homicídio qualificado. A investigação ainda busca possíveis outras vítimas.
O Conselho Regional de Enfermagem do Distrito Federal se manifestou, destacando que está acompanhando o caso e respeitando o processo legal, sem fazer julgamentos prematuros. O Coren-DF reafirmou seu compromisso com a segurança do paciente e a ética profissional.
Posicionamentos das Defesas
A defesa de Marcos Vinícius enfatizou a presunção de inocência, afirmando que o caso ainda está em fase de inquérito e que não houve qualquer condenação formal. Em nota, os advogados chamaram as informações veiculadas de especulativas e precipitadas. A CNN Brasil continua tentando contato com os advogados de Amanda e Marcela.

